Is there anybody going to listen to my story?

É assim que começa, com os primeiros versos de Girl. Um começo promissor, aos moldes do Toulose chorando e cantando Nature Boy na abertura de Moulin Rouge. Pena que essa promessa se mostre enganosa, pelo menos pela maior parte de Across The Universe, musical de 2007 inspirado na obra da maior banda que o mundo já viu: The Beatles.

Musical é um gênero controverso. Muita gente adora e outros tantos têm ódio mortal. Mas se tem uma coisa que é certa, é que prum musical funcionar, as músicas têm que ser muito boas, daquelas que você fica por dias cantarolando. Dessa forma, era óbvio imaginar que um filme cujo repertório é simplesmente o melhor da história, fosse ser ótimo.

O grande problema do filme, principalmente no começo, é que o roteiro inexiste. É algo forçado para que encaixassem as músicas dos Beatles nas cenas. Outro problema estão nos coadjuvantes. A dupla principal manda bem (inclusive descobri há pouco que a Lucy é a mesma garota que fez Aos Treze – e mudou bastante!), mas os demais são cantores escalados pra atuar. É tipo o problema inverso ao de Sweeney Todd, onde nenhum dos atores sabia cantar direito.

E a direção irregular da Julie Taymor (de Frida) contribui pra essa confusão, já que ela reveza planos tão brilhantes quanto as canções com planos tão ridículos que não seriam dignos nem de uma cena tocando Calypso. Aliás, já que falei na diretora de Frida, a Salma Hayek faz uma micro-ponta numa cena lá pelo final.

No entanto, a virada ocorre lá pela metade, justamente numa participação especial do Bono Vox (a cena é espetacular aliás, com ele cantando I Am The Walrus e as cores mergulhando no psicodelismo). Ali o filme meio que assume que está um troço ruim e resolve virar simplesmente uma experiência, uma poesia audiovisual. O filme fica mais artístico e passa a funcionar bem melhor (o que é irônico, já que geralmente filmes de arte acabam sendo menos acessíveis, e aqui ocorre o oposto). E nos poucos momentos em que eles voltam a algum ponto ligado à trama, o roteiro já está um pouco menos ruim.

Outra diferença entre as duas metades está na direção das cenas musicais. No começo chega a ser ridículo. Ou a música era cantada por um personagem que via a pessoa amada à distância (tipo, isso aconteceu umas 4 ou 5 vezes em meia-hora! – inclusive na broxante cena de I Want To Hold Your Hand) ou envolvia alguma coreografia constrangedora. A partir do momento em que o filme começou a “viajar”, pudemos ter cenas belíssimas, como a de Because , a de Something e outras, apesar de em quase todas ter alguma derrapada bizarra, embora não chegue a comprometer.

Os protagonista se chama Jude, então já era de se esperar que tocasse Hey, Jude em um momento importante. É uma pena que depois de tanta espera a cena tenha sido do nível dos números musicais do começo. E o final com All You Need Is Love foi “careta”, mas correto e funcionou.

Pela trilha como um todo (não só por serem os grandes clássicos dos Beatles, mas também por terem, em sua maioria, arranjos bem bacanas) e por alguns dos números, principalmente da segunda metade, é um filme que vale a pena ser visto. É ruim, mas é bonito.

Só é uma pena que a partir de agora quem quiser fazer um musical com o repertório deles vá soar como plagiador, porque com certeza dava pra terem feito algo muito melhor.

Mas vejam. Eu achei ruim, mas gostei (vá entender…).

Abaixo, a sequência mais bonita do filme, como um todo, Because:

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