Always Look on the Bright Side of Life

Eu tava sentindo falta de mais textos autorais aqui no Vida Ordinária, que era uma das propostas do blog quando ele começou. Mas o tempo foi passando, o trabalho aumentando e a parada toda passou a se resumir a críticas de filmes, confrontos e top 5 (esses últimos feitos pelo Bruno).

De qualquer forma, vou tentar tornar esses posts mais soltos, como divagações (e que eram até comuns lá por fevereiro e março), um hábito.

Para começar, eu queria falar de uma parada que nem anda muito na minha cabeça nos últimos tempos, mas que tem a ver com o dia de hoje.

Hoje completam exatos 6 anos que sofri um acidente relativamente grave (aliás, programei esse post para mais ou menos o horário em que ele aconteceu, inclusive).

Era uma terça-feira, meu segundo dia de aula no meu primeiro período da faculdade. Já tinha acabado o trote e eu tava indo pra casa, atravessando a Av. Rio Branco, quando senti um choque no joelho. Sabe quando a gente bate o cotovelo em algum lugar e dá tipo um choquezinho? Pois é, foi mais ou menos assim, só que mais intenso. Eu só sei que fui ao chão… sei lá, achei que tivesse pisado em algum fio desencapado, alguma porra dessas. Só sei que o sinal abriu e todos na rua pararam o trânsito e me levaram até o meio fio. Chega ambulância, vou pro Souza Aguiar, consigo a liberação e vou com meus pais até outro hospital.

Resultado: eu tinha uma lesão que não tinha percebido e continuei andando como se não tivesse nada. Até que um passo em falso provocou uma fratura do platô tibial, deslocamento da rótula e rompimento de todos os ligamentos do meu joelho esquerdo.

Cirurgia no dia seguinte, para colocar dois parafusos, liberado mais dois dias depois para ir pra casa mantendo a perna em repouso. Por causa dessa fratura, só pude voltar as aulas no período seguinte. Foram meses e meses confinado em casa, dada a gravidade da fratura. A primeira vez que saí de casa sem ser para fazer exames ou consultas, foi no dia 27 de dezembro: 143 dias depois.  Quase 5 meses. E mesmo assim na cadeira de rodas.

Minha rotina era basicamente ver TV, ler e ficar na internet. Para me locomover em casa, usava 2 cadeiras de computador (1 para ir sentado, outra pra perna fudida e com a direita eu ia “remando”). Era uma situação de merda.

Aí começou fisioterapia, treinar com muletas e tal. Em março já tinha vida normal e em maio larguei as muletas. Mancar manco até hoje, dependendo da posição dos parafusos ou do esforço.

Mas esse post não é para eu citar parte da minha biografia, e sim para apontar para uma parada que reparo na maioria das pessoas, inclusive em mim: como a gente reclama por porra nenhuma.

É claro, cada um tem seus problemas e lida com eles. Eu não tô dizendo que fulana tem que gostar de ter chefe chato ou que ciclano não pode achar ruim uma ordem que recebeu dos pais, etc. Mas é a tempestade em copo d’água que me incomoda. Ou melhor, não chega a incomodar, mas me deixa meio assim. Tô cansado de ver gente, às vésperas do reveillon, falar que quer que o ano acabe logo porque foi uma merda. Peraí, será que o ano de tanta gente foi tão ruim assim mesmo? Duvido. Repito, cada um tem seus problemas. Mas em vez de lidarem com eles, preferem superlativizá-los.

Aí chega um cara como eu, essencialmente bem humorado e otimista, e tenta dar uma palavra de incentivo, puxar prum lado mais alegre, e vem sempre a mesma frase (é impressionante, é sempre igual): você não conhece meus problemas.

É verdade, não conheço mesmo. Mas será que é pior do que passar uns 6 ou 7 meses vivendo 90% do dia sentado na sua cama com contato humano praticamente feito só por telefone ou internet (afinal, as pessoas têm suas vidas, escolas, empregos, etc)?

E essa própria rotina de merda que eu citei. Dá pra eu comparar com gente que ficou inválido não por alguns meses, mas sim pela vida inteira? Ou com gente que sofreu coisa ainda pior, como a perda de um ente querido, gente que passa fome, etc, etc, etc (exemplos não faltam)? Não! Eu sei que soa como demagogia, mas é a verdade.

2002, mesmo com isso, foi um ano foda pra mim! Passei na faculdade, o Fluminense foi campeão estadual, a Seleção Brasileira pentacampeão do mundo e eu fiz várias das grandes amizades que eu tenho hoje em dia.

A gente não precisa gostar dos nossos problemas. Muito menos se acomodar com eles. Mas do que adiantar só reclamar? Sério. Pra que serve aumentá-los como se fôssemos as pessoas mais torturadas e amarguradas do mundo? E do que adianta ficar com uma visão pessimista? Pra porra nenhuma.

Encara com bom humor, pô. Tá afundado na merda, nada nela. Ou vira macaco Tião e sai atirando em geral. Tanto faz. Mas ficar só se lamentando, como se fosse digno de pena? Ah, na boa, vai tomar no cu.

E pra encerrar essa divagação antes que ela vire o prefácio prum livro ruim de auto-ajuda (olha o pleonasmo… todo livro de auto-ajuda é ruim), vai a grande lição de vida (sério!!!) do Monty Python para todos nós: Always Look on the Bright Side of Life.

Reclamem menos dos seus problemas e tratem de se animar para resolvê-los.

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6 Responses to Always Look on the Bright Side of Life

  1. pati disse:

    é isso ai xandão.
    chega de drama, né gente?

  2. Anica disse:

    Nossa, lembro que quando te “conheci” na Valinor foi mais ou menos nessa época. E lembro que eu achava que você era um pirralho brilhante :dente: Sei lá porque achei que você era tão mais novo do que eu, devo ter confundido com outro perfil e fiquei com a idéia na cabeça hehehehe

  3. natalia pinheiro disse:

    É a gente tem mania de complicar as coisas mesmo!
    Nunca te vi “falar” tanto palavrão =p

  4. Rafael disse:

    E ainda tem casos piores que o seu, como você mesmo lembrou….gente que ficou 6 anos em cativeiro, sem poder se locomover pra lugar nenhum, como a dona Betancourt. =P

    Concordo contigo, mas veja bem: uma das coisas que o ser humano mais gosta de fazer é reclamar. Se não tem motivo nenhum pra reclamar, reclama da falta-de-motivo-pra-reclamar. Aí temos umas criaturas que sempre exageram um pouco mais (tipo os EMOS) mas em geral é isso mesmo.

    Eu no momento teria bastante motivo pra reclamar, estou desempregado há mais de 6 meses, mas me considero em uma fase feliz da minha vida. Engraçado.

    E você sabe que eu também me atrasei pra começar a facul de Publicidade, mas não considero este tempo perdido…assim, eu adoro as pessoas que conheci na minha turma, e não teria sido colega delas se tivesse me formado antes. Aliás, minha vida inteira seria bem diferente. Podia estar melhor? Talvez. Mas podia estar pior também. E eu estou satisfeito com os rumos atuais dela.

    Imagino que você tenha o mesmo tipo de pensamento. =]

  5. Bruno Tavares disse:

    Eu gosto de reclamar, mas reclamo mais pq eu gosto do que realmente por ter problemas…ahhahaha \o/

    Sou um velho rabugento e quando crescer terei gatos malignos em casa, que vão arranhar as crianças que entrarem no meu quintal.

  6. Maurício disse:

    por acaso esse treinamento te interessa?
    http://www.inexh.com.br/html/dl.php

    fala exatamente sobre saber lidar melhor com os sentimentos e potencializa-los a favor da tua vida pessoal e profissional.

    qualquer coisa me manda um email
    (coloquei ali em cima no campo requerido)

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