Cegueira não é desculpa para você não ver

Título desse post foi meio filosófico, meio trocadilho. Mas ignorem a parte do trocadilho.

Não li Ensaio sobre a Cegueira ainda. E sem dúvida não é o melhor filme do Fernando Meirelles (ainda é Cidade de Deus, que tá no meu Top 10 de todos os tempos). Mas é ótimo, e você não pode deixar de ver (sem trocadilho). Inclusive é um filme que “envelhece” bem. Hoje já estou gostando bem mais do que quando vi, ontem.

Julianne Moore está sublime, Mark Ruffalo e Alice Braga ótimos, e o Gael García Bernal faz uma das melhores atuações da carreira dele. Divertido e perturbador ao mesmo tempo. A cena do “I Just Called to Say I Love You” está no rol de grandes momentos desse filme, assim como a do rádio, a do reencontro do casal japonês, a do supermercado e de outras que não vou citar aqui para não falar nenhum spoiler.

Um filme que nos provoca. Nos convida a refletir sobre como olhamos o mundo. E nos faz perceber, através da alegoria de uma situação de limite como é a cegueira branca, a verdadeira essência do homem. Enquanto alguns despertam o lado mais podre e sujo, outros percebem que, para sobreviver, precisam do apoio uns dos outros, da solidariedade, do amor.

Percebem que essa é a cura para viver nesse mundo cego. Seja o literal, do filme. Ou até mesmo o nosso, onde todo mundo vê, mas poucos realmente enxergam.

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6 Responses to Cegueira não é desculpa para você não ver

  1. Carol disse:

    Nossa, fiquei arrepiada!

  2. Juliana Peralta disse:

    Ainda não vi o filme (por mais que minha ansiedade esteja me matando), ainda não terminei de ler seu post (por mais que a minha ansiedade esteja me matando).

    Mas, preciso falar (porque a minha ansiedade estava me matando) que, além de José Saramago ser um gênio – todo e qualquer livro dele é uma obra prima -, “Ensaio sobre a cegueira” é um dos livros mais bonitos, fortes, inteligentes, críticos e sutis que já li em toda a minha vida. Por isso, aos que não leram, digo: façam esse favor a vocês e leiam.

  3. Rafael disse:

    Eu saí do filme com a certeza que ele era muito bom e que (aprentemente) conseguia passar os principais questionamentos do livro, o que é algo difícil em se tratando do tipo de livro que o Meireles adaptou. Mas ainda assim, tinha algo que me incomodava na história e eu não sabia bem explicar o que. Mas de lá pra cá, depois de conversar sobre ele com a Mari e pensar a respeito, o filme “envelheceu” bem na minha cabeça e eu estou pensando inclusive em escrever algo sobre ele, do mesmo nível que escrevi sobre Wall-E, analisando o filme sem criticá-lo. Se eu arrumar um tempinho livre nos próximos dias, farei isto.

  4. Rafael disse:

    Btw, esse still que você arrumou é foda. Adorei as formas como o Meireles e o Charlone trabalharam a “cegueira” para esta mídia que é, acima de tudo, visual.

  5. Mariana disse:

    Eu achei a fotografia do filme foda, passa de maneira espetacular o que as pessoas deveriam experimentar quando ficavam cegas. Tem gente criticando a técnica do filme, eu achei sublime.

    Eu adorei o filme como um todo, na verdade. Fiquei bastante impressiona e quero ver de novo.

  6. […] que me sinto compelido a escrever a respeito, tanto que cheguei a comentar que o faria lá no Vida Ordinária. Me entregarei portanto, agora, à dura missão de tentar analisar (ainda que brevemente) esse […]

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