Confronto da Semana: Rio x São Paulo

Essa é pra gerar polêmica. No Confronto dessa semana resolvi jogar um pouco de lenha na grande rivalidade bairrista do Brasil. Um embate entre os dois grandes centros econômicos, culturais e populacionais do país. As duas metrópoles. Separadas por umas poucas centenas de quilômetros da Via Dutra. É clássico! Rio x São Paulo.

Como eu sou carioca, esse confronto já é pra lá de tendencioso. Por isso, já aproveito para convidar os leitores paulistas do blog à réplica (sempre, é claro, no mesmo tom bem-humorado com o qual pretendo conduzir esse post).

Até porque eu realmente gosto de São Paulo. Não como o Rio, é claro, mas acho uma cidade legal.  Tem Starbucks, Galeria do Rock. E muito provavelmente eu vá ter que um dia ir morar lá, por motivos profissionais.  A intenção é apenas brincar com essa rivalidade histórica zoando os dois lados, de forma saudável.

Também estou curioso com a opinião de quem não é de nenhuma das duas cidades.

Os 10 rounds serão:

1º Round: Apelidos
2º Round: Carnaval
3º Round: Praia
4º Round: Futebol
5º Round: Gastronomia
6º Round: Locomoção
7º Round: Música
8º Round: O que os outros dizem…
9º Round: Gírias
10º Round: Nativos

Enfim, mermão (ou mano), vamos ver o que vai dar!

1º Round: Apelidos

O Rio de Janeiro é conhecido e cantado como a Cidade Maravilhosa. Maravilhosa em que sentido? Só a beleza? Não, ela é cheia de encantos mil. Cidade maravilhosa, coração do meu Brasil. É um belo rótulo pra se ostentar. Passa beleza, simpatia, emoção, força. Dá um moral pra cidade.

Aí vem São Paulo, a Terra da Garoa. Peraí? O que dá pra concluir sobre isso? Que é um lugar que chove. E chove aquela chuvinha chata, irritante. O que isso fala sobre o povo,sobre a cidade em si? Nada, só fala do clima. E mal! O Cidade Maravilhosa a gente pode interpretar como um monte de coisa. Se ainda fosse Terra Estupenta, Terra do Caramba, ou até, pra mudar pouco, Terra da Garota (aliás, essa seria ótima, porque criaria uma espécie de rivalidade com a Garota de Ipanema, de alguma forma – “ah, vocês têm a garota de Ipanema? Foda-se, mêo, a gente tem a Garota!).

Desse jeito realmente não tem competição. Os paulistanos estão pedindo pra perder…

Rio 1 x 0 São Paulo

2º Round: Carnaval

A maior festa popular da Terra. E a maior manifestação organizada dela. E a cópia pálida dessa manifestação.

O carnaval carioca é uma instituição nacional. Berço de escola de samba tradicionalíssimas e de compositores geniais. Cartola (“deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar“), Paulinho da Viola (“Senti o meu coração apressado, todo o meu corpo tomado, minha alegria voltar. Não posso definir aquele azul, não era do céu, nem era do mar. Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar“), Martinho da Vila, entre muitos outros. Verdadeiros baluartes. Mangueira, cantada em versos por tantos, até por Chico Buarque (o carioca por quem os paulistas mais babam o ovo). Portela. Salgueiro. Tudo bem, como nada pode ser perfeito, existe a Beija-Flor (se bem que eu adorava a Beija-Flor nos tempos do Joãozinho Trinta).

Mas agora, alguém me diz. Dá pra respeitar uma escola chamada X9?! Tipo, não sei se em São Paulo tem o mesmo significado, mas por aqui X9 é um traíra filho da mãe que tá marcado pra se ferrar. Por isso é estranhíssimo ver um escola com esse nome. É uma espécie de versão hardcore da Vizinha Faladeira (escola de samba aqui do Rio que outrora – e bota outrora nisso – foi grande).

E ainda tem a tal de Vai-Vai. Isso lá é nome? E Nenê de Vila Matilde? Sempre que vejo o nome dessa escola lembro da Grande Família. Ia ser legal, vários desfiles seguidos… Nenê da Vila Matilde, Lineu da Vila Piraporinha, Tuco da Vila ABCD, Bebel da Vila do Chávez, Agostinho da Vila do Pan…

Além do mais, sambas dos carnavais cariocas já viraram verdadeiros hinos, conhecidos nacionalmente (“Explode coração, na maior felicidade…“, “Estrela de luz, que me conduz, estrela que me faz sonhar…“, “Me leva que eu vou, sonho meu, atrás da verde-e-rosa só não vai quem já morreu“),  e alguns até mesmo incorporados à história da música brasileira (“Será que eu serei o dono dessa festa? Um rei no meio de uma gente tão modesta?“, “Vejam esta maravilha de cenário, é um episódio relicário que o artista num sonho genial escolheu para este carnaval“).

Agora, alguém sabe me falar um samba de escola paulista que tenha a popularidade ou a importância de qualquer um desses citados e de muitos outros do mesmo nível que eu não coloquei aqui? Ok, I rest my case.

Isso sem falar no local dos desfiles. Enquanto no Rio tem a magnitude da Marquês de Sapucaí e da Apoteose, que formam uma verdadeira passarela do samba. O Anhembi é até bonitinho, admito, mas pô, é um negocinho pequeno, modesto. Ouso até dizer acanhado. Não tem comparação.

E eu nem vou entrar no mérito do carnaval de Rio, já que o de São Paulo eu não conheço. Mas duvido que supere Bola Preta, Boitatá, Banda de Ipanema, Simpatia é Quase Amor, Carmelitas, Céu na Terra e tantos e tantos e tantos outros blocos.

Rio 2 x 0 São Paulo

3º Round: Praia

Ê-Ê-Ê-Ê, a praia de paulista é o Rio Tietê!

Então. O que dizer? São Paulo não tem praia, né? Tem lá o Tietê e o Pinheiros… mas aqueles rios ali não barram nem o Piscinão de Ramos.

Já o carioca… tem Copacabana e sua bela curva, a tradição e o calçadão. O charme de Ipanema. As ondas da Barra, Grumari, Prainha

E não é apenas uma questão de gostar de praia ou não, nem de frequentá-la (eu mesmo vou pouquíssimas vezes ao ano e só no alto verão). É de saber que ela está ali. Seja pra servir de referência espacial (se você se perder, quase sempre vai ter uma praia para você achar, e de lá não tem erro), como para simplesmente você poder saber que, se estiver precisando, pode chegar na beira d’água e olhar praquele marzão sem fim com aquele vento na cara.

Isso tudo além de ser um ótimo local de lazer e de esportes. Gente correndo, caminhando, jogando vôlei, futebol, futvôlei. Ou só sentaddos com amigos tomando água de coco. Vocês imaginam alguém bebendo água de coco na beira do Tietê?

Vá lá, os paulistas podem dizer que pra isso eles têm o Ibirapuera. Pois é. E a gente tem o Aterro. Além das praias.

Mas aí eles também podem vir e dizer que eles não precisam de praia, basta ir pro Guarujá ou pra Praia Grande. Meu amigo, se alguém vem e me diz que vai pra um desses lugares, eu só não mando à merda por um motivo: a pessoa acabou de dizer que já está indo pra lá. E pegando um trânsito monumental pra isso.  Não que o estado de São Paulo não tenha ótimas praias, eu adoro Ubatuba. Mas aí já foge da discussão sobre as cidades (e olha que eu já tinha incluído as merdas supracitadas pra tentar ajudar…). E mesmo se não fugisse, numa discussão mais ampla dessas eu ia poder incluir pro Rio lugares como Paraty, Angra, Búzios, Arraial, e aí ia ser outro esculacho.

Outro argumento que não duvido que surja é: e com o aquecimento global? As marés sobem, logo logo isso tudo que eu estou falando do Rio vai estar submerso. O que eu respondo? E daí? Oras, eu não tô indo agora jogar gamão na praça só porque é o que vou fazer daqui a 50 anos… quando a maré subir a gente decide o que faz. Podemos curtir a Praia de Laranjeiras, da Tijuca, de Jacarepágua. Com certeza não vão ser piores que o Guarujá.

Rio 3 x 0 São Paulo

4º Round: Futebol

Aqui já tem uma disputinha mais acirrada… não dá pra negar que os resultados da última década favoreceram monumentalmente os times de São Paulo nesse quesito. E só por isso eles já saem levando uma certa vantagem. Mas vamos analisar friamente a história, as torcidas e a cultura futebolística de Rio e São Paulo antes de sermos precipitados.

Sobre títulos, São Paulo realmente leva vantagem. São 13 Brasileirões (5 do São Paulo e 4 de Palmeiras e Corinthians – vale lembrar que o Santos não é da capital, mas sobre ele a gente fala mais adiante) contra 11 (5 do Flamengo, 4 do Vasco e 1 do Fluminense e do Botafogo), 4 Libertadores (3 do SPFC e uma do Palmeiras) contra 2 (Flamengo e Vasco) e 4 Mundiais (3 do São Paulo e 1 do Corinthians) contra 1 (do Flamengo). Vantagem essa que em boa parte se relaciona à última década, quando o futebol paulista teve uma hegemonia e o carioca uma péssima fase. Mas considerando esse desnível absurdo dos últimos anos (o último título brasileiro de um carioca foi do Vasco em 2000), a diferença de títulos é até pequena.

Mas agora, como bem diriam os botafoguenses, um time não vive só de títulos, e sim de glórias. É o básico “nóis si fódi mas si divérti“. Como tricolor, eu tive esse ano momentos inesquecíveis com o meu time na Libertadores, e o título não veio. A mulambada ano passado viu os bambis empatarem o penta deles, mas em compensação puderam acompanhar uma arrancada final arrasadora que os levou pra Libertadores. Esse tipo de coisa vale, emocionalmente, tanto quanto um título. Títulos vão pros registros, pras estatísticas, pra almanaque, etc. Mas e o que fica na memória do torcedor? E que o ajuda a alimentar aquela paixão irremediável por um clube? A gente pode ter menos títulos, mas tivemos Garrincha, Didi, Zico, Zizinho, Zagallo, Amarildo, Roberto Dinamite, Nilton Santos, Rivelino, Romário, Edmundo, Renato Gaúcho, Júnior, Leandro, Bebeto, Romerito, Gérson, Edinho… tantos e tantos. Como o vascaíno vai esquecer do Edmundo fazendo a dança da bundinha na frente do Gonçalves, ou acabando com o Flamengo em 97? Como o botafoguense vai esquecer do empurrãozinho do Maurício em 89, ou do Túlio parando a bola na linha pra fazer um gol de calcanhar na Libertadores? Como o tricolor vai esquecer o elástico do Rivelino no Alcir contra o Vasco ou a barriga de Renato Gaúcho e os gols do Assis nos Fla-Flus? Aliás, quer clássico melhor que Fla-Flu? Cheio de história, charme e sempre imprevisível e emocionante. Ou Flamengo e Vasco, com sua rivalidade. Palmeiras x Corinthians tem também grande rivalidade, mas cadê a graça, o bom humor. Numa final Fla-Flu dos anos 40, disputada na Gávea, o Flu segurava o resultado que garantia o título chutando a bola na Lagoa Rodrigo de Freitas. Hilário e folclórico. Aí chega Palmeiras e Corinthians e basta uma gracinha do Edílson fazendo embaixadinhas que começa uma guerra civil em campo. Ridículo. Futebol é zoar e estar preparado para que revidem zoando também. Futebol é alegria do povo, é a piada do domingo. Único esporte onde um sujeito como o Obina pode ser ídolo (e isso é genial, gente, de tão hilário).

Mas saindo um pouco desse lado mais folclórico, vamos ver um pouco cada time em si.

E vamos logo falar da Portuguesa, afinal, fora esse momento, ela nem merece ser comentada, né? De time portuga nesse confronto o único que vale é o Vasco. E acho bacana essa identificação que esses clubes têm com uma determinada colônia. Afinal, padeiro também merece ver futebol domingo, né? Mas tirando o Roberto Leal e o Flávio Gomes da ESPN Brasil, quem torce pra Portuguesa? Ninguém.

Já o Vasco da Gama é a segunda maior torcida do Rio e 4ª ou 5ª do país. E mesmo com a mancha da sua imagem causada pelo lamentável Eurico Miranda, ainda merece respeito pela sua história, títulos e craques. Embora, é claro, essa história tenha vivido na verdade mais vices do que títulos. Antigamente, era dar Fluminense e Vasco na final pro Flu comemorar título. Hoje em dia é em Flamengo e Vasco. Só falta o Botafogo pra completar a farra do boi. Se bem que, pra isso acontecer, o Vasco tem que voltar a chegar em finais.

E quem vem chegando nelas ultimamente e justamente seguindo os passos do Vasco é o Botafogo. E sempre tomando trolha. E sempre se achando perseguido (às vezes com razão). Tem coisas que só acontecem com o Botafogo, é o que dizem seus torcedores. Torcedores que estão entre os mais chatos e insuportáveis do futebol (só perdem pra flamenguistas e são-paulinos). Sempre chorando ou dizendo que são os mais fiéis, etc. Mas basta o time perder um ou dois jogos pro público dos jogos cair drasticamente. A ponto do Engenhão ter o apelido hoje em dia de Vazião. E nessa história vão se seguindo os vexames com estádio vazio. Mas o Botafogo é rico em história. Vários dos craques que citei acima fizeram carreira nele. A ponto de que o time é (ou até pouco tempo era) o que mais cedeu jogadores pro Brasil em Copas.

Dos chorões do Rio para os corneteiros paulistas. O Palmeiras é um time tradicional e que teve nos anos 70 e 90 dois picos de hegemonia. Tirando essas épocas, foi só corneta. Torcedores e dirigentes arrumando pêlo em ovo, vendo confusão e motivo pra briga em qualquer derrota. Achando que o time é maior do que realmente é. Aliás, essa mania de grandeza exacerbada tá até nos torcedores, que conseguem achar Marcos um goleiraço (e se esquecem que ele caçou borboleta e foi responsável direto pela derrota do time no jogo mais importante de sua história – a final do Mundial de 99, contra o Manchester). Mas ainda assim, o Palestra e sua Academia acabam sendo o time mais simpático (ou seria menos antipático?) da capital paulista.

E seu grande rival é o Corinthians, com sua dita fiel torcida. E são fiéis mesmo. Mas não podiam ter umas musiquinhas melhores? Vá lá que são a única torcida paulista animada… aliás, vou fazer uma intervenção rapidinha nessa parte e já falar de vez da diferença entre o torcedor paulista e o carioca. Aqui as torcidas têm dezenas de músicas cada. Fodas, motivadoras, com ótimas melodias, empolgantes. Aí chegam as torcidas de São Paulo e só ficam falando uns gritos sem graça e dando uns pulinhos escrotos. “Eu canto até ficar rouco, rouco por ti, Curíntia!“. Mas nada é pior e mais gay do que o “Vai lá, vai lá, vai lá. Vai lá de coração. Vamos, São Paulo, vamos, São Paulo, vamos ser campeão (sic)”. Não que os flamenguistas sejam melhores na concordância, afinal mandam um “Vamos Flamengo, vamo ser campeão” do mesmo nível, mas pelo menos é no ritmo de Can’t Take My Eyes Off You. E tem o Tema da Vitória, o “Acima de tudo rubro negro”. Como o Vasco tem lá a música do gol do Juninho e o samba da Unidos da Tijuca. E o Botafogo o “Ninguém Cala”, entre outras. E o Flu tem João de Deus, a versão do “Horto Magiko” do Panathinaikos, o “Eterno Amor”, entre outras dezenas. Isso sem falar nos cantos que cada torcida canta para zoar os rivais. Tudo muito engraçado, criativo e empolgante. Isso sem falar na festa das bandeiras, banidas de SP por causa da violência nos estádios. Enfim, culpa deles, azar o deles.

Mas voltando ao Corinthians, é o time mais odiado de São Paulo provavelmente pelos mesmos motivos que o Flamengo é tão detestado no Rio. Como tem muito torcedor, tem muito chato. Times de massa enchem o saco porque se acham mais do que são só por causa da quantidade de torcedores, e não pela qualidade. Não que seja exclusividade deles, os torcedores mais insuportáveis que eu conheço são os arrogantes são-paulinos (uma espécie de flamenguistas com dentes).

O São Paulo, ou como eu costumo chamar, o Bambi FC, é o time mais vitorioso do Brasil. Tudo bem, vitórias conseguidas em sua grande maioria nos últimos 20 anos, mas ainda assim… Tem uma enorme torcida, embora boa parte seja de modistas. Basta o time parar de ganhar (e isso já está acontecendo), para boa parte debandar. De qualquer forma, eles têm uma grande base de torcedores. É só ver que na última parada gay em São Paulo foram não sei quantos milhões.

O outro tricolor do eixo Rio-SP é o Fluminense, meu time. Vocês realmente acham que eu vou falar mal dele aqui? Que eu vou zoá-lo? Não, óbvio que não. Mas pra ser justo, também não vou puxar brasa pro clube mais tradicional do Rio, de elite, único time das Américas a ter a Taça Olímpica, entre muitas outras glórias,  e time que tem as torcedoras mais gatas (junto do Grêmio e Patétic… ops, Atlético Paranaense).

E aí, nos resta falar do Flamengo. Mais conhecido pela maioria dos seus torcedores como Framengo. A mulambada teve um super-time nos anos 80 e desde então acham que qualquer moleque que surge é o novo Zico. E sempre acham que são o melhor time. E geralmente se ferram. Vide a Libertadores desse ano e a patética eliminação pro América do gorducho Cabañas, depois de uma festa antes da partida. Bando de secadores, eles, apesar do tamanho, agem com tal pequeneza que provocam o ódio irrestrito das demais torcidas. Fla-Madrid, Fla-Manchester, Fla-Boca, Liga dos Urubus. Grandes no tamanho, medíocres na atitude. Mas pelo menos dão apoio incondicional ao time, e não são de modinha igual os são-paulinos.

E já que ali eu falei de um América, vamos falar do outro. O grande América, o Ameriquinha. O grande que deixou de ser, e segundo time de todo carioca. Se precisarem de uma foto pra definir time simpático, é esse.

E por último, os templos. Preciso mesmo falar da importância histórica do Maracanã pro futebol brasileiro e mundial? Até o Santos de Pelé vinha jogar o tempo todo aqui. O Pacaembu tem lá sua história, o Morumbi é grande, mas os dois juntos não são nada perto do Maraca.

É por isso que eu tenho que dar a vitória pro Rio. Por causa dos títulos recentes, São Paulo aparenta uma superioridade. Mas em tradição, torcida e importância histórica (além do estilo de jogo, mais futebol-arte e cadenciado, ao contrário da velocidade competitiva dos times paulistas), o Rio faria mais falta ao futebol brasileiro.

Rio 4 x 0 São Paulo

5º Round: Gastronomia

Nesse round não tem jeito. Eu sou carioca, e adoraria puxar a brasa pro nosso lado. Mas eu também sou gordo, e seria mentir pra mim mesmo não admitir que em São Paulo come-se melhor do que em qualquer outro lugar que eu já tenha ido.

A pizza é um negócio sobrenatural. No Rio poucos lugares têm pizzas boas de verdade. Na maioria das vezes que você pede uma pizza de calabresa, vêm só umas 3 rodelinhas. Não, não tô falando da fatia, e sim da pizza inteira. Além do péssimo hábito que muita gente tem aqui de colocar ketchup na pizza (se bem que os paulistas também tem uma mania bizarra de colocar molho à campanha, ou vinagrete pra eles, em tudo, sem falar naquela loucura de enfiar purê de batata no cachorro-quente). Mas enfim, mesmo nos melhores lugares, não se fazem pizzas como as de lugares nem tão fodas assim de Sampa,

E o pastel? Principalmente o de feira. No ponto, perfeito, com recheios fartos e deliciosos. Ótimos restaurantes (tanto que boa parte dos atuais restaurantes da moda aqui no Rio são versões importadas de lá).

Sobre a gastronomia paulistana eu calo a minha boca. Até porque é falta de educação falar de boca cheia. Parabéns, nessas vocês venceram, com louvor.

Rio 4 x 1 São Paulo

6º Round: Locomoção

Engarrafamento em São Paulo

Nas grandes cidades, esse é sempre um assunto complicado. No Rio e em São Paulo, não é diferente.

No Rio, o maior problema é a falta de educação no trânsito. A maioria dos motoristas cariocas sempre quer levar vantagem, e nessa acabam ferrando com o trânsito todo, seja pelas barbeiragens, pelos acidentes causados por imprudência e pelas escrotices como fechar cruzamentos. Existem muitos carros na rua e em certas horas e lugares, os engarrafamentos são mesmo inevitáveis. Mas é revoltante ver tudo parado em situações em que isso não precisava acontecer. Já em São Paulo, eu já notei mais educação e consciência no trânsito. Não que adiante de algumas coisa, já que lá, mesmo assim, os engarrafamentos são piores. Não lembro onde que eu vi, mas daqui a alguns anos o engarrafamento em São Paulo vai ser constante, eterno. Isso é muito bizarro.

Além disso, aqui no Rio temos um metrô que é bem confortável, mas que podia ter mais trens e ter uma linha bem mais longa. Em São Paulo o metrô sequer tem ar-condicionado, mas pelo menos é bem mais abrangente que o daqui. E mais rápido também. O que não o impede de ficar constantemente abarrotado de gente.

Sobre trens, eu não posso falar, já que não uso como meio de transporte nem cá nem lá.

Por isso fico em muita dúvida em quem deve levar essa (nenhuma das duas cidades merece). Em São Paulo é um pouco pior. No Rio, é ruim, mas a gente vê claramente onde dá pra melhorar, seja pela iniciativa do governo, seja pela consciência dos cidadãos. Então aqui tá ruim, mas dava pra melhorar. Mas lá tá pior, e não tem muita salvação. Azar o deles.

Rio 5 x 1 São Paulo

7º Round: Música

No Rio tem mulata e futebol, cerveja, chopp gelado, muita praia e muito sol, é. Tem muito samba, Fla-Flu no Maracanã, mas também tem muito funk rolando até de manhã.

Aproveito esse trecho que abre um funk famoso pra logo de cara botar na arena o gênero musical mais controverso do Rio. O único que podem usar como argumento contra. O pancadão, conhecido normalmente como funk carioca. Enfim, é claro que 90% do que se faz nesse estilo é uma merda completa, com melodias paupérrimas (quando há) e letras escabrosas (e muitas vezes – principalmente depois da proibição temporária – com apologia ao crime). Mas a gente também tem que lembrar o contexto social, a falta de oportunidades e de condições que conhecer música melhor por parte da população desses lugares e é claro, o próprio convívio dessas pessoas com esses temas pesados. É apenas uma outra abordagem da mesma condição que o rap paulistano (que também acho uma merda, embora apresente claramente uma postura em geral de mais crítica social). Por outro lado, o funk carioca nos primórdios também reclamava da violênciae pregrava a igualdade social. Hoje em dia isso ficou raro, e quando não é proibidão, é música com apelo sexual. Mas que, em muitos casos, são engraçadas e excelentes para festas (seja pelo ritmo ou pela oportunidade de ver as gostosas indo até o chão). Então não é de todo o mal…

Minha alma canta / Vejo o Rio de Janeiro

Mas como eu disse antes, abri falando do funk porque sabia que ele é o que de pior existe para se falar de música carioca. De resto, começa o esculacho. Afinal, aqui nasceu a Bossa Nova, a mistura do jazz com samba que conquistou o respeito do mundo. Um gênero ao mesmo tempo popular e sofisticado, e que nasceu naquele pequeno período onde o Brasil tinha orgulho de ser Brasil. Que ano foi aquele de 1958, né? De qualquer forma, através dos cariocas (e dos forasteiros radicados aqui), nasceu a mais bela expressão musical do Brasil que deu certo. Nos encontros daquela turma no apartamento de Nara Leão (quer voz mais perfeita para a Bossa Nova?), surgiu isso… que turma? Carlos Lyra, Roberto Menescal, o baiano João Gilberto, o já maestro Tom Jobim e de vez enquanto aquele tio boêmio, poetinha gente boa, camarada, sempre com seu uísque à tira colo. Um tal de Vinícius de Moraes. Chega de Saudade, Garota de Ipanema, Coisa Mais Linda, Lobo Bobo, Tereza da Praia, Desafinado, Wave, Corcovado. E Ela é Carioca? O argumento definitivo, depois de falar tudo sobre a pessoa, Vinícius nos brinda com um “e além do mais, ela é carioca“.

Eu sou o samba / Sou natural daqui do Rio de Janeiro
Sou eu quem levo a alegria / Para milhões de corações brasileiros

Zé Keti cantou e é verdade. O samba, de raiz africana, veio nascer aqui no Rio para se tornar o gênero musical mais popular do nosso país. Partido alto, samba-canção, samba-enredo… o samba fez pagode deixar de ser um tipo de templo chinês para se tornar o ato de fazer uma roda de samba. E os paulistas fizeram pagode deixar de ser sinônimo disso pra se tornar sinônimo de um tipo de sambinha mela-cueca horroroso que eles fazem por lá e que acaba por manchar toda a tradição e importância do samba de verdade. O samba é alegria, é poesia, é o povo cantado pelo povo. E seus grandes nomes, os grandes expoentes, aqueles que criaram e aqueles que o levaram adiante, os que atenderam os pedidos de “não deixe o samba morrer”, são daqui. Adoniram Barbosa era foda, mandava muito bem. Mas era apenas um mestre, contra um Rio inteiro de mestres do samba.

O que São Paulo tem e o Rio não, é o sertanejo.  Que eu particularmente acho um lixo, mas que tem suas coisas de raiz, então vou respeitar. Mas peraí, quem são os grandes nomes desse gênero? Chitãozinho e Xororó (paranaenses), Leandro e Leonardo (goianos), Zezé di Camargo e Luciano (goianos), Bruno e Marrone (goianos)… De paulistas nessa história só mesmo Tonico e Tinoco, Daniel e Sérgio Reis. Vá lá que esse povo tem seu valor, mas nenhum deles teve tamanha influência na cultura nacional da forma que o samba e a bossa nova tiveram.

E ainda temos os outros gêneros. Como o rock, por exemplo. Em São Paulo, surgiram várias ótimas bandas, como o Ira!, o divertidíssimo Ultraje a Rigor e, principalmente os Titãs. Por outro lado, no Rio tinha o pop-rock divertido e jovem da Blitz, os Paralamas do Sucesso e, principalmente, o Barão Vermelho, que contava com o maior gênio e poeta do rock nacional: Cazuza. Cássia Eller também era carioca. Renato Russo fez parte do cenário musical de Brasília, o mais marcante do rock nacional, mas também era carioca. E nos últimos tempos, o Rio trouxe a banda mais criativa e original do rock brasileiro: os Los Hermanos. E nesse tempo, quem São Paulo trouxe? CPM22 e NXZero. Tenho mesmo que falar alguma coisa?

E muitos outros nomes que fizeram a música brasileira tão rica também vieram daqui. Heitor Villa-Lobos, Braguinha, Chiquinha Gonzaga (Ô abre alas, que eu quero passar), Elza Soares, Gonzaguinha (Viver e não ter a vergonha de ser feliz / Cantar e cantar e cantar a beleza de ser um eterno aprendiz / Eu sei que a vida devia ser bem melhor, e será / Mas isso não impede que eu repita: é bonita, é bonita e é bonita), Ivan Lins, Jorge Ben Jor (Moro num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, mas que beleza – um música sobre o Brasil, mas que bem poderia se aplicar ao Rio de Janeiro), Lulu Santos (Não adianta fingir, nem mentir pra si mesmo / Agora há tanta vida lá fora e aqui dentro, sempre / Como uma onda no mar – o maior fazedor de hits do nosso pop), Marcos Valle (Ela vem, sempre tem esse mar no olhar / E vai ver, tem que ser, nunca tem quem amar), Marisa Monte, Nana Caymmi, Noel Rosa (grande Noel, que imortalizou a Vila Isabel e até hoje é imortalizado por suas calçadas), Pixinguinha, o síndico Tim Maia, Miúcha e é, claro, seu irmão: Chico Buarque de Holanda.

Falar de Chico nesse ponto da competição é quase desnecessário, tamanha a reverência que os próprios paulistas têm desse grande ícone. Gênios dispensam argumentos.

E esse round dispensa que eu precise dizer quem venceu.

Rio 6 x 1 São Paulo

8º Round: O que os outros dizem…

Esse round é simples. Em vez de chegar e falar o que EU acho de Rio e São Paulo, vamos deixar pessoas de outras cidades opinarem.

O baiano Caetano Veloso disse, sobre São Paulo, em Sampa:

Chamei de mau gosto o que vi/ De mau gosto o mau gosto

O baiano Gilberto Gil disse, sobre o Rio, em Aquele Abraço:

O Rio de Janeiro continua lindo

A gaúcha Adriana Calcanhoto disse, sobre o Rio, em Cariocas:

Cariocas são bonitos/ Cariocas são bacanas

E, voltando a quem eu citei no começo, o baiano Caetano Veloso, a respeito de um francês e um americano, sobre o Rio, em O Estrangeiro veio:

O pintor Paul Gauguin amou a luz na Baía de Guanabara
O compositor Cole Porter adorou as luzes na noite dela

Eu até procurei mais citações a São Paulo em músicas e poemas, mas foi difícil achar. Aparentemente só quem é de lá canta aquele lugar.

Rio 7 x 1 São Paulo

9º Round: Gírias

De um lado o “Pô, mermão” e o “brother”. Do outro, o “mano” e o “véi”. De um lado, o “caraca”. Do outro, o “ô loco, mêo”. O “irado” e o “sinistro” contra o “massa” e o “da hora”. A “night” contra a “balada”.

A verdade é que gírias são idiossincrasias linguísticas de cada lugar, uma particularidade de pessoas de um mesmo lugar, como uma extensão do sotaque, por exemplo. Então não existe necessariamente um certo ou errado, ou um melhor ou pior. Cada um fala do seu jeito e debocha do jeito do outro (morei 2 anos em Piracicaba, no interior de SP, e a cada 2 dias alguém vinha me pedir pra falar “exqueci o ixqueiro na exquina da excola”, era uma forma deles me zoarem e eu achava normal e engraçado).

Assim como com os termos e expressões. Paulista fala semáforo e carioca sinal. E os mais corretos nesse caso são os paulistas. Mas eles chama biscoito de bolacha, mesmo estando claramente escrito biscoito na embalagem.

Dessa forma, eu deveria dar empate nesse ponto. Mas a questão é que eu sou carioca, e como carioca eu me irrito profundamente com essas gírias e expressões dos paulistas (se bem que no caso de balada e night eu me irrito profundamente com os dois casos). Então me reservo ao direito de usar da minha particularidade linguística e, como mencionei acima, debochar de quem é diferente. E faço isso dando esse round pro Rio.

Rio 8 x 1 São Paulo

10º Round: Nativos

Como diz a Adriana Calcanhoto e eu já reproduzi nesse Confronto, cariocas são bonitos e cariocas são bacanas. E por isso se acham. É verdade, nós nos achamos. Somos marrentos. As mulheres principalmente (e aqui recomendo esse texto postado no site do CCRJ, que atribui a culpa disso a Tom e Vinícius, que com sua obra fizeram toda carioca se achar a garota de Ipanema).

Basta carioca chegar em algum outro lugar para elevar a carioquice à décima potência. Às vezes uma carioquice que o próprio cara não tem. Exagera no sotaque, na ginga. Carioca quer mostrar que é carioca, que é descolado, desencanado. É verdade. E por isso acaba ganhando a antipatia de muita gente Brasil afora, principalmente do paulistano. Afinal, existem 3 tipos básicos de paulistanos, e todos esses tipos contrastam muito com o ultracarioca. O primeiro tipo é mano. O segundo, é o almofadinha. E o terceiro é o VJ da MTV wannabe.

O mano é aquele cara que faz pose de rapper e mete a ZL no papo mesmo que ele jamais tenha pisado lá. Ele quer parecer um Mano Brown genérico, com cara de mau e correntinha no pescoço.

Para ele, o carioca ou tá querendo aparecer ou é viado. Pro carioca, o mano é um cara bem menos divertido que os funkeiros.

O almofadinha é aquele cara criado a “leite com pêra, ovomaltino e pão com mortandela”. Branquelo, usa aqueles topetinhos com gel, faz trainee em alguma multi-nacional e acha que, por isso, já é um exercutivo foda. É tão marrento quanto o carioca, mas num jeito PSDBista de ser. É um cara que provavelmente vai se inscrever no Aprendiz e quando for demitido vai fazer pose de que “é melhor que aquilo”.

Para ele, o carioca é um vagabundo que não trabalha e fica o dia inteira na praia. Pro carioca, o almofadinha é, bem, um almofadinha, que não come ninguém a menos que pague.

Já o Vj da MTV wannabe é aquela turma que segue alguma tendência (e curiosamente, boa parte deles tem uma certa tendência…). E geralmente caem no estereótipo, seja o emo, o indie, o punk. Eles tentam virar aquele personagem. É meio contraditório, mas eles tentam afirmar a autenticidade deles justamente imitando alguém. Aqui no Rio isso acaba não acontecendo tanto por causa do clima, da característica da cidade. O cara segue tendências, mas não vai morrer de calor por isso, então acaba maneirando. Tem gente que diz que o paulista se veste melhor que o carioca, e acho que isso é verdade sim, porque o clima deles permite isso. Só que quando vira essa cultura de quase um cosplay de estereótipos, estraga tudo. Sou mais a espontaneidade desleixada daqui. E também da integração de tribos que acaba ocorrendo aqui em alguns lugares ou eventos.

Mas voltando ao VJ da MTV wannabe, ele não acha nada do carioca, afinal, ele acha que está em Londres ou Nova York e não se importa com o que acontece fora desse eixo. Já o carioca, acha essas pessoas um bando de bichas estranhas.

Mas apesar dessa integração que eu falei, o Rio também tem seus grupos. Os pitboys, que vão nas boates de playboy usando regata. Os lésk (que ganharam notoriedade nacional graças ao Marcelo Adnet) e suas falas ao contrário. E a galera alternativa, que curte ao mesmo tempo o indie e um sambinha na Lapa, festas de rock e barzinho de rua com cerveja de garrafa. E ainda tem a galera eco-esporte, que tá sempre correndo na orla, andando de bicicleta na Lagoa, escalando o morro da Urca, mergulhando numa cachoeira no Horto, fazendo trilha na Floresta da Tijuca, ou coisas do tipo.

Cada um é cada um, e fica difícil comparar tipos de pessoas. Mas enquanto paulistano é o cara que nasce em São Paulo, ser carioca é a tradução de um estado de espírito. Quem nasce no Rio já tem isso no sangue, mas quem vem de fora vai ser bem recebido, de braços abertos pelo Cristo Redentor no alto do Corcovado, para se tornar um carioca na alma.

E sem dúvida o carioca podia ser menos marrento. Mas fazer o que se eles sabem que cariocas são bonitos, cariocas são bacanas, cariocas são sacanas, cariocas são dourado, cariocas são modernos, cariocas são espertos, cariocas são diretos, cariocas nascem bambas, cariocas nascem craques, cariocas têm sotaque, cariocas são alegres, cariocas são atentos, cariocas são tão sexys, cariocas são tão claros.

E cariocas também são os ganhadores desse round.

Rio 9 x 1 São Paulo

Vitória do Rio!

.

Ah, é chocolate!

Paulistas, não me odeiem. =)

Vocês vão ter que comer muito feijão com arroz (aliás, porque vocês chamam o feijão de vocês de carioquinha? Ninguém no Rio come aquilo) até terem uma cidade tão foda quanto a nossa. Mas ainda assim aí é um lugar legal.

Só não foi tão abençoado por Deus (fazer o que? Ele é brasileiro e o filho Dele mora aqui).

Agora espero a réplica de vocês defendendo São Paulo. Nada mais justo, certo?

E semana que vem a gente volta com mais um confronto, um mais light, depois desse polêmico e provocativo.

Se tiverem alguma sugestão de confronto, é só colocar aqui nos comentários.

Até semana que vem!

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32 Responses to Confronto da Semana: Rio x São Paulo

  1. Nuno Boggiss disse:

    De um grande caralho. Mas futebol, SP merece meu rei. Sejamos sinceros

  2. Broder, sinceramente não tem nem comparação! ahuahuahuhaua!!

  3. agarota disse:

    Hahahahahaha!!!
    Agora fiquei eu numa sinuca de bico: você convida todos os paulistas a defenderem São Paulo, mas eu acho que sou a paulista menos indicada pra fazer isso… veja só aonde eu vim morar 🙂

    Mas, pros paulistas não vierem me bater, tem mesmo alguns pontos aí que eu tenho que defender Sampa:

    No trânsito, São Paulo tem ficado essa merda principalmente nos últimos anos, então eu não estava lá pra poder xingar mais, mas pelo menos na minha época em São Paulo, eu praticamente não precisava andar de carro. Todo lugar dava pra ir de metrô, e _muito_ mais rápido. Dava até pra compensar a lata de sardinha que ia ficar, porque você ficava na lata de sardinha por quinze minutos e ia pro outro lado da cidade.
    Aqui o metro vai pra onde? Da zona sul pra zona sul? E, cara, chamar um ônibus da zonal sul pra Barra de metrô é sacanagem…

    E você foi extremamente tendencioso escolhendo aquele trecho da música do Caetano. Na mesma música ele diz que [i]É que quando eu cheguei por aqui / Eu nada entendi / Da dura poesia concreta / De tuas esquinas / Da deselegância discreta / De tuas meninas…”[/i]

    Li um texto uma vez falando que São Paulo era uma dama difícil. Ela é, no fundo. Ela precisa que você aprenda a amar a beleza do sol depois da chuva, dos tipos estranhos andando na rua com todo mundo achando normal, da feira onde todos os executivos vão almoçar pastel com caldo de cana, da iluminação fria do inverno.
    São Paulo é uma cidade pra se amar lentamente. O Rio é uma cidade pra se apaixonar. As duas coisas tem lá seu mérito…

    Mas no meu combate interno ainda é o Rio de Janeiro que ganha, apesar de ser sacaneada em todo lugar por oferecer uma bolacha xD

  4. vanessa disse:

    Engraçado achei o teu blog quando justamente acabei de escrever um texto no meu blog sobre como uma paulista pode morar Rio.
    A comparaço é dificl entre as duas, podemos dizer que Sao Paulo é uma feia que vale a pena ser descoberta. O Rio é a bonitaque você ja vê a beleza de cara.
    Um abraço
    Vanessa

  5. Bom, eu daria empate no futebol… e no trânsito eu daria menos um ponto pra cada cidade!

    De repente algum paulista criaria confrontos diferentes entre as cidades e daria um ponto de vista diferente pra coisa…mas acho que mesmo assim o Rio ganha.

    Eu por exemplo falaria de rock e da cena de cada lugar…e seria um esculacho só. A gente nem uma barraquinha do rock tem e os manos têm tudo.

    Arte seria difícil. Se pensar em quadrinhos os manos levam também. Laerte é do caralho. : P

    Enfim, não troco aqui por nada… mas tem muita coisa bacana em SP também pô.

  6. José Neto disse:

    Pelo menos aqui em Sao Paulo a gente nao fica no meio do fogo cruzado do trafico.

  7. Eu nunca fiquei no meio do fogo cruzado do tráfico… aliás, ouço de todo mundo que vem de outras cidades que o rio é o único lugar que as pessoas andam na rua a qq hora do dia ou da noite…

  8. Eu tb nunca fiquei no meio de fogo cruzado.

    Mas Carol, também não exagera. Anda na rua a qualquer hora do dia e da noite dependendo MUITO do lugar (e mesmo assim forçando um pouco a barra).

  9. Rafael disse:

    Ah, você até pegou leve. Achei que ia zoar muito mais. “O Sr. tá com medinho, Sr. 02?”

    Comentários:

    – Forçou feio nessa do futebol, hein. Seria o mesmo que eu achar que o Bahia é um dos maiores times do Brasil até hoje, porque ele foi grande na década de 60 e no final da década de 80, e fosse ficar lembrando de Beijoca, Bobô e Carlito. Na verdade, essa capacidade de exaltar os times daí mesmo com eles estando em situações medíocres é uma das coisas que mais me irrita nos torcedores e na mídia esportiva carioca (ok, nos últimos 3 anos isso mudou um pouco, com alguns times indo pra libertadores e ficando bem posicionados no Brasileirão, mas eu lembro bem do final da década de 90 e do começo dos anos 2000 com o Flu voltando da segunda e o Flamengo cai-não-cai todo ano e ainda assim ocupando 70% do tempo do “Globo Esporte”. Isso sem falar nas reportagens de 10 minutos sobre a vida dos “craques” de cada time daí).

    Nesse round você vai me desculpar, mas eu sou muito mais o futebol paulista – ainda que torça para eles perderem campeonatos da mesma forma que torço pros times do Rio perderem (ou serem rebaixados, que é o risco que eles correm mais frequentemente). Mas os times do Rio me irritam bem mais.

    – O round da gastronomia, lido assim, perto da hora do almoço, me deu vontade de comer uma pizza… hmmm

    – A sua descrição do trânsito do Rio me lembra de certa forma o trânsito de Salvador… não sei se você sabe, mas eu vivo dizendo, pelo que conheço das duas, que Rio e Salvador são “cidades irmãs”, tanto no “estilão” da cidade (rodeadas de belas praias, com uma baia em um dos lados, e entupidas de favelas que sobem e descem os morros – ambas as cidades têm vários morros – rodeando os bairros ricos) quanto no jeitão da população (isso que falam do “baiano preguiçoso” na verdade é uma simplicação do jeito malandero desse povo, bem parecida com a malandragem típica dos cariocas). Sem contar que tanto soteropolitanos quanto cariocas, em geral, amam farra, carnaval e praia em qualquer dia da semana. Não é de surpreender que o trânsito daí tenha os mesmos problemas… ainda que eu ache que ninguém dirige pior do que os baianos, em geral.

    – Faltou citar o Angra como banda paulista, na minha opinião pelo menos, tornaria o round bem mais complexo de decidir (no mínimo melhorava a rivalidade entre as bandas recentes, até porque não consigo gostar muito de Los Hermanos mesmo =P)

    – Você queria a opinião de pessoas que não são de nenhuma das duas cidades, e eu digo: ambos os sotaques (rio e sp) são igualmente irritantes. Mas acho o sotque carioca mais “divertido”, engraçado. Morri de rir quando vi Cidade de Deus pela primeira vez por conta do sotaque e das gírias usadas pelos atores. Assim sendo, acho que o paulista irrita um pouco mais no fim das contas.

    – Adorei a divisão que você fez entre os “tipos de paulistanos”. É perfeita, uhahuahuauhahuahu

    Pronto, comentários feitos. Fiz quase um post.

  10. Futebol paulista é chato e pragmático. Dá resultado? Claro, mas de forma feia e pouco divertida.

  11. André Soares disse:

    Concordo 100%.

    Eles realmente têm mais opções de gastronomia. Devem ganhar em vida noturna, opções de shows e trabalho também, mas com o agravante de ter que estar sempre cercado de paulistas.

    :/

    Rola de lançar um Brasil – Argentina não?

  12. Henry disse:

    Não tinha como dar outro resultado.

  13. Rocco disse:

    Eu estou em SP e morei a vida toda no Rio e digo: aqui me sinto MUITO, mas MUITO mais seguro. Andar nos jardins, e até minha humilde Vila Mariana a noite é belezinha. Estou aqui fazem 8 meses e NUNCA peguei um engarrafamento. Esse lance do trânsito depende mto de onde vc mora. Eu no rio pegava engarrafamento direto. Aqui é tão grande que dá pra ficar metade engarrafado e ainda a outra metade desengarrafada vai ser bem maior do que se o rio todo estivesse desengarrafado (foi confuso mas é tipo isso). O metrô o que tem de feio tem de rápido. Opções de comida aqui é um absurdo, vc come bem, pagando mixaria, e se quiser fica falido tb. Tem mais opções de qlqr coisa que se imagina.

    Nas pequenas coisas que se nota. Exemplo? Não existe uma gráfica 24h no rio. Na segunda maior cidade da maior potência econômica da america latina não existe um birô 24h! E uma vez vc tendo, não sei mais como é não ter.
    Quando o assunto é naite (ou balada) ai é humilhação. Eu só repeti lugar pq eu quis, e não pq não tinha mais onde ir como já aconteceu várias vezes no rio.

    E isso sem dizer outras coisas como o (senão respeito) não-ódio-mortal pela polícia. Já vi várias vezes a policia atuando, prendendo gente, parando carro… Sabe, trabalhando. Vi isso mto menos no rio, contando minha vida inteirinha. Assistindo ao jornal na TV fico cada vez mais achando q o rio tá na merda total. É exército na rua, é protesto pq matou bandido… As noticias daqui, comparadas com as do Rio são tranquilíssimas. Só uns assaltos e tal…

    Acho q o rio tem mta coisa bacana, mas esse preconceito contra SP (assim como tb com o brasileiro em geral com a Argentina) faz com que fiquemos rindo dos outros, nos achando os tais, enquanto na verdade estamos afundados até a boca de merda. Acho q temos muito a aprender com nossos vizinhos.

  14. Rocco disse:

    PS: Aliás, o Salário de um assistente aqui é de um sênior aí. Rá!

  15. popdesign disse:

    adorei. eu tô fazendo um blog sobre meus dias de rj e dias de sp. ri demais. vou por teu post lá ! 🙂

    na-ponteaerea.blogspot.com

  16. Razec disse:

    a diferença tmb é que tudo que acontece de ruim no rio repercute no mundo inteiro… tudo aqui vira ‘uma grande notícia’. e os traficantes daqui, ‘reforçados’ por angolanos não têm medo de morrer, em são paulo não tem morro, fica fácil de a policia entrar num terreno plano. manda eles subirem o cruzeiro… mas muito bom esses comentários todos. com um bom nível e pessoas inteligentes. são paulo é legal tmb, é a segunda cidade do país.

  17. Mariana disse:

    Huahuahauhua, vc forçou demais!!! Mas no geral, gosto mais do Rio do que de São Paulo. Um dos meus maiores medos era minha profissão me obrigar a ir pra SP algum dia. Hoje nem acho isso o fim do mundo, mas ainda não gosto da idéia. No Rio eu me sinto mais a vontade, mais em casa. Mas também não sei se gostaria de morar lá.

    Por mim, o futebol dos dois estados podia ir todo explodir. Pra todo o resto do país, é um saco ver como a imprensa é tendenciosa ao lidar com isso. Um nojo.

    Mas vocês não sabem da verdade. Bom mesmo é BH!! Né por nada não, mas eu amo minha cidade, mesmo com todas as coisas de roça grande dela. O único outro lugar que me sinto em casa é Salvador. Mas vá, estou com saudade de visitar ambas cidades e as pessoas queridas que nelas moram.

  18. Raquel disse:

    Eu concordo com a moça aí de cima! BH que é bom!

    São Paulo é uma cidade feia demais! E o Rio é até legal, mas como aquela cidade fede! Eca!

  19. Rafael disse:

    Éééé, cadê a torcida de BH?? \o/\o/\o/\o/\o/\o/

    Hehehehehe. Mas ó, o pessoal que fez o trailer gringo de Tropa de Elite concorda com os defensores de SP acima, hein: http://mais.uol.com.br/view/1335181087479188891/trailer-em-ingles-de-tropa-de-elite-04023160DC891326?types=A&

    “They grew up together… in the world’s most dangeorus city…”

  20. Rafa, metade da população de BH já postou nesse tópico… não tem muito mais gente pra vir.

  21. shazan disse:

    lol trollando forte lol

    São Paulo 98 x 2 Rio

    Rio ganha no quesito VIOLÊNCIA ACENTUADA e DENGUE.

  22. Dgé disse:

    Bala perdida no rio é normal……
    entra por um ouvido e sai pelo o outro….rsrsrsrsrs

    Pizza com catchup……rsrsrsrs

    falar da potuguesa….rsrsrsrs vasco e fluminense la em bx…..

    Ha tem uma prgunta quem foi que ganhou desde 2004 pra ca o brasileiro?
    R: 2004- santos, 2005-corinthians,2006-sao paulo,2007-são paulo…..rsrsrsrs

    sabe qual foi o ultimo que os cariocas ganharam?
    R: taça joão havellange……rsrsrssrs(se vcs consideram isso como campeonato..rsrsrrsrs)se não só em 1997…….rsrsrsrsrsrs

    Ha tem a ultima……….
    Ronaldinho jogando no Flamengo…….rsrrsrssrrss(cuidado com os Flavestis…….rrssrsrs ou desculpa travestis…rsrsrsrsss

  23. Guilherme disse:

    forcou demais no futebol. Qualquer pessoa com menos de 30 anos (como eu, q tenho 25) viu uma superioridade total paulista. AInda mais agora, se o Flu e VAsco rebaixarem, o Rio pode ficar com a mesma representacao na serie que Goias, supondo que o Vila Nova suba

    Transporte tambem acho que Sao Paulo vence. O Rio so ganha se voce comparar a ZOna Sul do Rio com Sao Paulo toda. Se voce for justo e comparar a Zona Sul com a regiao de Sampa entre os rios Pinheiros e Tiete, o que ainda eh um pouco injusto com Sampa, a locomocao em SP eh melhor pq tem mais metro, ou pelo menos empata com o Rio

    Meu placar seria 7 a 3 pro Rio

  24. Guilherme disse:

    alem do que, SP tem muito mais opcao de balada (night).

    e vc esqueceu de coisas simples, como servico de encanador, eletricista, etc. Quem ja precisou disso no Rio e SP, sabe que a superioridade paulista eh total.

    entao eu adicionaria dois criterios, vencidos por Sampa, e ficaria 7 a 5 meu placar

  25. BURNIER disse:

    O Rio tem uma natureza linda… aliás é por isso que é a Cidade Maravilhosa… tirando isso as duas cidades são uma droga.

    E Starbucks também é uma porcaria 😛

  26. Artur disse:

    Nem Rio, nem Sampa: Niterói!

    Mas vamos lá, talvez eu seja o mais imparcial aqui, afinal passei boa parte da vida no Rio e estou em Sampa há mais de 2 anos.

    Das categorias que você escolheu a seu bel-prazer:

    Futebol, Sampa vence. Seja honesto consigo mesmo.

    Locomoção, Sampa vence disparado. Você alegou total desconhecimento da cidade. Eu raramente pego trânsito aqui (tô com carro desde janeiro), enquanto no Rio continuo pegando quando estou na área. O metrô daqui HUMILHA o do Rio, as linhas de ônibus idem, as de trêm, idem.

    Música, dependendo do ponto de vista, Sampa também massacra. Aqui você tem acesso a tudo que é tipo de música, enquanto que o Rio é exclusivamente samba, pagode e funk. Sampa é mil vezes mais eclética.

    Gírias são igualmente irritantes, é empate.

    Agora, você omitiu (dolosa ou culposamente) algumas categorias, como: serviços, polo cultural, balada/night, segurança, poluição, das que lembro agora. Em todas essas, Sampa vence, exceto na poluição.

    Infelizmente, o Rio de Janeiro continua lindo, mas só no cartão postal… Sampa é um lugar melhor pra se viver.

  27. Artur, você nunca viveu no Rio.

    Aliás, jáque você morava em Itaipu, você quase sequer vivia em Niterói em si. auhauhahua

  28. Juliana Peralta disse:

    Isso porque a galera ia levar no bom humor, né?

    Não moro no Rio, moro em Niterói. Mas, como toda a minha vida – menos a minha casa – fica na cidade maravilhosa, me sinto no direito de falar: essa cidade é linda demais! É impressionante a capacidade de me encantar com a beleza do aterro, do Cristo Redentor, de São Conrado, da Lapa e de todo ar de boemia cultural.

    Mas, como namorei um paulistano quase dois anos e, durante 3 (e até hoje) vou muito a SP, também me sinto no direito de falar: SP tem uma velocidade e uma energia que me fascinam. SP é a cidade das opções, cidade das doces megalomanias. No linguajar paulistano: SP é uma puta cidade!

    Amo as duas, simplesmente por elas serem exatamente uma o oposto da outra. Por isso, bem digo à diversidade entre elas!

  29. Neto disse:

    Meu deus, como vcs conseguem vive nessa terra digamos (Rio de ninguem..) deu me livre…

    Affff vcs vivem no inferna e acham que tão no céu kkkkk vcs cariocas me matam de sarro….

  30. Lu disse:

    Aiai… n era pra ser levado na esportiva?

    Eu n conheço mt bem SP, mas do RJ eu posso flr…
    Aqui não tem tanta violência qnt parece. A mídia q tenta passar essa impressão aqui do Rio.
    Mas o Rio de Janeiro continua lindo.
    RJ é o q há! Se for pra morar em outro estado do Brasil eu morro!

  31. Alisson disse:

    O Rio de Janeiro citado é apenas a Zona Sul, sem defeitos que existem de verdade, um pedaço minusculo do Rio, que Floripa, Fernando de Noronha e as praias baianas dão de 10 x 0, e moro em Ipanema e posso dizer isso. Tanto é que Seu Jorge e Marcelo D2, foram morar em Sampa…hehehe
    Todos os 4 (grandes?) tem paulistas jogando… São Paulo e Paraná são os dois celeiros de jogadores atualmente….

  32. Lucia disse:

    Estou com a Lu, a violência aqui, é a violência dos grandes centros urbanos. Essa violência a que o Brasil inteiro se refere e em particular, os paulistanos, como sendo um absurdo aqui no Rio, é mais uma tentativa, inútil, de negar o óbvio: O Rio de Janeiro é uma cidade que além de linda, tem um povo bem humorado, simpático, e sempre receptivo. E sabe por que? Temos sim, os problemas q toda cidade grande tem. Mas só quem vive aqui sabe o valor de morar numa cidade que é lindíssima, agradável e que encanta a todos com seu maravilhoso relevo, e maravilhosas praias. É um bálsamo para alma, viver numa cidade de natureza exuberante, de clima sempre alegre e descontraído. O Rio é, e será, sempre muito, muito lindo!

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