Confronto da Semana: Elvis Presley x Roberto Carlos

Duelo de Reis!

The King contra O Rei.

The pelvis contra o grande ídolo das tiazonas brasileiras.

O homem que não morreu contra o ícone dos especiais de fim de ano da Globo.

O topete contra o mullets.

Um confronto majestoso.

Elvis Presley x Roberto Carlos

Já devo dizer que foi uma pena deixar muitas canções clássicas de fora desse Confronto. Algumas emblemáticas, outras folclóricas, que renderiam rounds divertidíssimos. Principalmente do repertório do Robertão, como O Divã (que inspirou a mãe do zagueiro Odvan a lhe dar esse nome) ou Côncavo e Convexo (sim, a música que fez a tia daquela declaração na novela da Globo ter o primeiro orgasmo da sua vida).

Mas vamos aos 12 rounds (sim, nessa semana tive que voltar ao 12 pra não deixar alguns clássicos de fora):

1º Round (Mundo Animal): Hound Dog x Negro Gato
2º Round (Eles se fazem de maus):
Jailhouse Rock x Eu Sou Terrível
3º Round (Tá na cabeça):
Always on My Mind x Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
4º Round (
Tem alguma coisa diferente…): All Shook Up x Força Estranha
5º Round (Bens Materiais):
Blue Suede Shoes x Calhambeque
6º Round (Cidades):
Viva Las Vegas x As Curvas da Estrada de Santos
7º Round (Declaração repetitiva): I Want You, I Need You, I Love You x Eu Te Amo, Eu Te Amo, Eu Te Amo
8º Round (Declaração Cafona): Love me Tender x Cavalgada
9º Round (O Amor Ideal): A Little Less Conversation x Amor Perfeito
10º Round (Te gosto esse tantão): (I Can’t Help) Falling in Love With You x Como é Grande o meu Amor por Você
11º Round (O Corno e o Ricardão): Suspicious Minds x A Namoradinha de um Amigo Meu
12º Round (Fim de relação):
Heartbreak Hotel x Se Você Pensa

Vamos à disputa!

1º Round (Mundo Animal): Hound Dog x Negro Gato

Hound Dog não foi o primeiro single gravado por Elvis Presley a fazer sucesso, mas sem dúvida foi o primeiro passo para torná-lo um mito. As requebradas ao fim do refrão chocavam os conservadores americanos e enlouqueciam as meninas (que hoje em dia nós conhecemos como vovós). Mas por mais que o ritmo seja contagiante e um clássico, vamos dar uma olhada na letra.

“You ain’t nothin’ but a hound dog
cryin’ all the time.
Well, you ain’t never caught a rabbit
and you ain’t no friend of mine.”

Traduzindo, seria algo como “Você não passa de um cão de caça, chorando o tempo todo. Bem, você nunca pegou um coelho e não é amigo meu”.

Ok, ou essa é uma metáfora genial que eu sou burro demais pra compreender ou é a pior metáfora do mundo e não faz o menor sentido. E tudo bem, Elvis não foi o compositor. Mas no momento em que ele incorpora a música ao seu repertório, recebe toda a bagagem dela. Seja positiva ou negativa.

Negro Gato também não é composição de Roberto Carlos. E sem dúvida não teve a importância mítica de Hound Dog. Mas era um bom swing com uma letra interessante. Também uma metáfora, mas que pelo menos faz sentido, seja interpretada literalmente quanto quando você enxerga o negro gato como um cara fudido que tenta levar a vida apesar das adversidades.

Só que, enquanto Negro Gato refletia sobre uma sociedade, Hound Dog mudou a cultura de outra sociedade. E por isso, mesmo com a letra estúpida, leva a melhor.

Elvis 1 x 0 Roberto Carlos

2º Round (Eles se fazem de maus): Jailhouse Rock x Eu Sou Terrível

Em Jailhouse Rock, Elvis banca o presidiário que comanda a festa dos detentos. Uhul, estamos encarcerados, mas não vamos perder a diversão, certo? O problema é que são os presidiários mais baitolas do universo. Um deles chama o outro de gracioso, outro convida um colega pra fugir e esse se recusa dizendo que quer ficar e curtir pra valer. É aquela coisa, se quer posar de malvado, faz direito. Faz um rock sobre as porradas na cela, sobre os colchões queimados, sobre esfaquear o cara que queria te comer. Tipo, pelo menos daria um pouco de autenticidade à parada.

Não que Eu Sou Terrível mostre um Roberto Carlos badass, mas pelo menos ganha pelo que não diz.

“Eu sou terrível
E é bom parar
Com esse jeito de provocar
Você não sabe
De onde venho
O que eu sou
Nem o que tenho”

É tipo uma ameaça, um aviso. Um básico “você não sabe com quem tá falando, então é melhor tomar cuidado”. Não importa se ele diz que decola do chão, que tem uma caranga que é uma máquina quente, etc. O lance é que ele dá seu recado e não fica de festinha.

E por isso sozinho arrebentaria todos os presidiários do Elvis.

Elvis 1 x 1 Roberto Carlos

3º Round (Tá na cabeça): Always on My Mind x Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos

Always on My Mind é talvez a mais bela canção gravada por Elvis. Originalmente um country do Willie Nelson (que ainda recebeu uma regravação eletrônica dos Pet Shop Boys), a música é uma declaração de amor das boas. Ele basicamente admite que não fez tudo que deveria pelo seu amor, mas que mesmo assim se importa com ela e a tem sempre na cabeça. Sincero e arrependido. Faz a gente torcer pra mulher ceder e ficar com ele.

Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos, tem uma conotação completamente diferente. Caetano Veloso estava no exílio e muita gente considerava a Jovem Guarda omissa quanto à ditadura. Foi quando Caetano e Roberto Carlos trocaram canções e apoio. De um, veio Como Dois e Dois (“Tudo certo, tudo certo, como dois e dois são cinco“). Do Robertão, veio uma das suas melhores composições, uma poesia pela volta de Caetano a um Brasil verdadeiramente certo, onde dois e dois são quatro mesmo.

Um dia a areia branca
Seus pés irão tocar
E vai molhar seus cabelos
A água azul do mar
Janelas e portas vão se abrir
Pra ver você chegar
E ao se sentir em casa
Sorrindo vai chorar
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Uma história pra contar de um mundo tão distante
Debaixo dos caracóis dos seus cabelos
Um soluço e a vontade de ficar mais um instante

E por serem músicas tão distintas, reunidas apenas pelo que está na cabeça (a mente ou os cabelos), fica difícil decidir.

Mas enquanto Always on my Mind é “apenas” uma declaração de amor foda, Debaixo dos Caracóis é a prova de que Roberto Carlos é sim um grande compositor, um poeta e um cara que não era conformado com a situação que o país vivia. E que teve a coragem de dar apoio a um exilado e a gravar sua música de contestação sem medo. Duas músicas fodas, mas pela importância política, RC leva essa.

Elvis 1 x 2 Roberto Carlos

4º Round (Tem alguma coisa diferente…): All Shook Up x Força Estranha

No seu primeiro sucesso, All Shook Up, Elvis diz que suas mãos estão trêmulas e os joelhos estão fracos. Que ele parece não poder levantar em seus próprios pés, e que está apaixonado e todo arrepiado. E ainda diz:

“Por favor não me pergunte o que está em minha mente
Eu estou confuso, mas estou me sentindo bem
Quando eu estou próximo daquela menina que eu amo
Meu coração bate tanto e me assusta até a morte”

Resumindo: ele tá com um tesão incontrolável e ainda não percebeu.

Já o Robertão, fala de uma Força Estranha que o leva a cantar, a soltar uma voz tamanho, e tudo porque viu várias coisas… um menino correndo, uma mulher grávida, um velho, etc…

Resumindo: ele é um pervertido comfetiches bizarros e que contém seu tesão incontrolável cantando.

Entre os dois desesperados, a vitória vai pro que faz isso com mais ritmo.

Elvis 2 x 2 Roberto Carlos

5º Round (Bens Materiais): Blue Suede Shoes x Calhambeque

“Well, it’s one for the money,
Two for the show,
Three to get ready,
Now go, cat, go.
But don’t you step on my blue suede shoes.
You can do anything but lay off of my Blue suede shoes.”

Uma das melhores aberturas de música de todos os tempos. Elvis dá seu recado e a única coisa que não pode acontecer é pisarem nos seus sapatos de camurça azul.

“You can burn my house,
Steal my car,
Drink my liquor
From an old fruitjar.”

Que porra de sapato é esse, né? Podem queimar a casa do malandfo, roubar o carro dele, beber a birita dele… mas ninguém mexe nos sapatos. Isso é que é ser apegado a um bem material.

Já Roberto Carlos teve um caso de amor com um bem que o fez esquecer de outro.

Ele mandou seu Cadillac pro mecânico outro dia, pois há muito tempo um conserto ele pedia.  Com muita paciência o rapaz lhe ofereceu um carro todo velho que por lá apareceu. Enquanto o Cadillac consertava ele usava o Calhambeque. Saiu da oficina um pouquinho desolado. Confessou que estava até um pouco envergonhado. Olhando para o lado com a cara de malvado.  E logo uma garota fez sinal para ele parar e no Calhambeque dele fez questão de passear (Maria-gasolina barata essa, né?). Ele não sabia o que pensar, mas não acreditou. O broto quis andar no Calhambeque. E muitos outros brotos que ele encontrou pelo caminho falavam: “Que estouro! Que beleza de carrinho!”.  E foi se acostumando e do carango foi gostando. E o Calhambeque, bi-bi, queria conservar o Calhambeque, Bi Bidhu! Bidhubidhu Bidubi!

Mas o Cadillac finalmente ficou pronto. Lavado, consertado, bem pintado, um encanto. Mas o coração dele na hora exata de trocar… Ah. Seu coração ficou com o Calhambeque.

“Bem! Vocês me desculpem
Mas agora eu vou-me embora
Existem mil garotas
Querendo passear comigo
Mas é por causa desse Calhambeque
Sabe!
Bye! Eh! Bye! Bye!”

Blue Suede Shoes é foda, mas é meio nonsense. Já em O Calhambeque, Roberto Carlos mostra seu lado putão ao abrir mão de um Cadillac por um Calhambeque só pela chance de comer mais mulher.

Elvis 2 x 3 Roberto Carlos

6º Round (Cidades): Viva Las Vegas x As Curvas da Estrada de Santos

Las Vegas foi a cidade que marcou o momento gordo, brega e cheio de lantejoulas do Elvis. O fim de carreira que marcou a imagem mais reproduzida do rei do rock.

Viva Las Vegas é uma espécie de declaração de amor àquela cidade luminosa e cafona no meio deserto. É basicamente ele exaltando todo o pecado e decadência daquele lugar, como se fossem um charme.

As Curvas da Estrada de Santos, no enquanto, é o desabafo de um cara rejeitado que vive no limite, se arriscando a cada curva, sempre na velocidade. O vento é sua companhia.

“Se você pretende saber quem eu sou
Eu posso lhe dizer
Entre no meu carro na estrada de Santos
E você vai me conhecer
Você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim
E que na minha idade só a velocidade
Anda junto a mim”

É um grito desesperado por ajuda, por alguém, por um amor que o tire dessa loucura.

“Só ando sozinho
E no meu caminho o tempo é cada vez menor
Preciso de ajuda
Por favor me acuda
Eu vivo muito só
Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo
Eu piso mais fundo
Corrijo num segundo
Não posso parar”

Vejam aí a situação limite. Ele quando lembra da rejeição flerta com o perigo, com a inconsequência.

“Eu prefiro as curvas da estrada de Santos
Onde eu tento esquecer
Um amor que eu tive
E vi pelo espelho na distância se perder
Mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar
As curvas se acabam
E na estrada de Santos não vou mais passar
Não, não vou mais passar”

Ou seja, é uma bela duma metáfora foda! Bem melhor do que babar o ovo de uma cidadezinha de meia-tigela.

Elvis 2 x 4 Roberto Carlos

7º Round (Declaração repetitiva): I Want You, I Need You, I Love You x Eu Te Amo, Eu Te Amo, Eu Te Amo

I Want You, I Need You, I Love You é um dos primeiros sucessos de Elvis, e sua primeira balada. E é foda pra caramba. Uma declaração de uma simplicidade e sinceridade ímpares.

“Hold me close, hold me tight
Make me thrill with delight
Let me know where I stand
From the start

I want you, I need you, I love you
With all my heart”

Every time that you’re near
All my cares dissapear
Darling you’re all that I’m
Living for

I want you, I need you, I love you
More and more”

E tem bem mais, é uma letra longa, apesar de simples.

Em Eu te amo, eu te amo, eu te amo, Robertão anda afastado de sua amada e, morrendo de saudades, que telefonar e dizer que ama ela. 3 vezes. Ok, é bacana, kind of romantic, mas não tão sincero e puro quanto a declaração do Elvis.

Por isso, o filho mais famoso do Tennessee leva a melhor nesse round.

Elvis 3 x 4 Roberto Carlos

8º Round (Declaração Cafona): Love me Tender x Cavalgada

Não se preocupem, eu não vou fazer nenhuma piada associando o tender de Love me Tender ao tender de Natal. Enfim, a música é uma declaração meio old school, perfeita para uma serenata.

“Love me tender,
Love me sweet,
Never let me go.
You have made my life complete,
And I love you so.

Love me tender,
Love me true,
All my dreams fulfilled.
For my darlin’ I love you,
And I always will.”

É quase um I Want You, I Need You, I Love You, só que mais meloso. E se tornou um clássico. Muito maior que a outra canção, inclusive.

Cavalgada também é um clássico, que já passou por vozes como a de Nara Leão, inclusive. E não me entendam mal, a letra é bem bonita, mas o que tem de bonita, tem em dobro de melosa.

“Vou cavalgar por toda a noite
Por uma estrada colorida
Usar meus beijos como açoite
E a minha mão mais atrevida

Vou me agarrar aos seus cabelos
Pra não cair do seu galope
Vou atender aos meus apelos
Antes que o dia nos sufoque

Vou me perder de madrugada
Pra te encontrar no meu abraço
Depois de toda a cavalgada
Vou me deitar no seu cansaço

Sem me importar se neste instante
Sou dominado ou se domino
Vou me sentir como um gigante
Ou nada mais do que um menino

Estrelas mudam de lugar
Chegam mais perto só pra ver
E ainda brilham de manhã
Depois do nosso adormecer

E na grandeza deste instante
O amor cavalga sem saber
E na beleza desta hora
O sol espera pra nascer.”

É quase uma epopéia romântica, cheia de metáforas bem construídas, declarações bonitas e tal. Mas que se fosse um pouco mais longa, viraria um daqueles livros semi-eróticos de banca de jornal.Agora imagine um livro semi-erótico de banca de jornal narrado pelo Roberto Carlos. Amigo, não dá!

Por isso, por mais que seja cafona também, Love me Tender leva a melhor, por não extrapolar tanto os limites do bom senso.

Elvis 4 x 4 Roberto Carlos

9º Round (O Amor Ideal): A Little Less Conversation x Amor Perfeito

Se em Calhambeque Roberto Carlos é putão, em A Little Less Conversation Elvis Presley assume esse papel. Ele chega pra mulher e manda um “cala a boca, comigo o negócio é pouco papo e mão na massa”. Tirou onda!

“A little less conversation, a little more action please
All this aggravation ain’t satisfactioning me
A little more bite and a little less bark
A little less fight and a little more spark
Close your mouth and open up your heart and baby satisfy me
Satisfy me baby”

“Um pouco mais de mordida e menos latido”. Putz, ele chamou a mulher de cachorra, muito bom! “Fecha a matraca e abra a porra do coração e me satisfaça, mulé” (tradução livre). BADASS.

E se já não bastasse essa letra com o Elvis soltando o verbo, ainda temos um dos seus hits mais dançantes. Ainda mais depois que foi feita uma versão remixada para um comercial da Nike (veja aqui). Foda.

Amor Perfeito é uma música que Roberto Carlos imortalizou (mas não é dele, e sim dos eternos compositores da Xuxa: Sullivan e Massadas!), mas que os jovens de hoje em dia acham que é da Cláudia Leitte, uma vez que foi a música que alavancou o Babado Novo.

Qualquer micareteiro (sabe, às vezes eu me pergunto o que leva uma pessoa a se tornar algo… e tá aí… o que leva uma pessoa a virar micareteira) basta ouvir os primeiros versos (“Fecho os olhos pra não ver passar o tempo, sinto falta de você”) pra se arrepiar e começar a querer pular… Mas como estamos falando de Roberto Carlos, vamos ignorar essa versão recente (no caso da de Little Less Conversation, é apenas um remix, o Elvis ainda tá lá).

Enfim, nessa música o cara fica basicamente implorando pra mulher não largar dele. Fica se arrastando, que nem uma bichinha. Pelo amor de Deus, como isso pode ser um amor perfeito?

Amor perfeito é o do Elvis. O do “boca fechada a não ser que tenha um membro meu dentra delo”. Botando ordem na casa! Elvis badass motherfucker freestyle leva essa, pro Roberto Carlos aprender que não é ele que tem que ficar de quatro pra mulher, e sim o contrário.

Elvis 5 x 4 Roberto Carlos

10º Round (Te gosto esse tantão): (I Can’t Help) Falling in Love With You x Como é Grande o meu Amor por Você

“Wise men say only fools rush in
But I can’t help falling in love with you
Shall I stay would it be a sin
If I can’t help falling in love with you

Like a river flows surely to the sea
Darling so it goes some things are meant to be
Take my hand take my whole life too
For I can’t help falling in love with you

Essa canção é uma das baladas mais conhecidas e cantadas da história. Um cara que gosta tanto da mulher que não consegue não se apaixonar por ela. Pra mim o grande diferencial tá nos dois últimos versos, que eu sublinhei. O cara se entrega ao amor de forma franca (sem ser maricas, como no exemplo do round acima).

E esse round é complicado, já que Como é Grande o meu Amor por Você é tão foda quanto.

“Eu tenho tanto pralhe falar
Mas com palavras não sei dizer
Como é grande o meu amor
Por você…

E não há nada pra comparar
Para poder lhe explicar
Como é grande o meu amor
Por você…

Nem mesmo o céu, nem as estrelas
Nem mesmo o mar e o infinito
Não é maior que o meu amor
Nem mais bonito…

Me desespero a procurar
Alguma forma de lhe falar
Como é grande o meu amor
Por você…

Nunca se esqueça, nem um segundo
Que eu tenho o amor maior do mundo
Como é grande o meu amor
Por você…”

Nesse caso, ele ainda usa referências para dar a grandeza desse amor. O que seria uma vantagem pro Robertão.

Mas aí fui parar pra pensar. Ele passa a música toda falando que sente um grande amor pela mulher e fazendo analogias e dizendo que ela não se esqueça disso. Mas só. Ele fala, fala, mas não abre a guarda.

E aí que os versos sublinhados do Elvis fazem a diferença. Porque ele não precisa dizer tanto o quanto ama a mulher. Ele fala o necessário e depois FAZ o necessário. Diz para ela pegar sua mão e sua vida inteira. E depois de falar isso aposto que a mulher caiu na dele… pode parecer fraco? Tanto faz, depois que pegar a primeira vez ele pode começar a aplicar o método do A Little Less Conversation.

Elvis 6 x 4 Roberto Carlos

11º Round (O Corno e o Ricardão): Suspicious Minds x A Namoradinha de um Amigo Meu

Eu acho que minha música favorita do Elvis é Suspicious Minds. Musicalmente, é a mais interessante. E ainda tem uma letra ótima, com ele falando que gosta muito da mulher, mas que não confia nela e que a relação não tem futuro quando há suspeitas. E ele vai citando várias situações em que ele não confia nela. Ou seja, ela deve ser uma vadia adúltera.

Ou seja, a pessoa perfeita para conhecer nosso amigo Roberto Carlos. O cara não chega bem a ser um Ricardão, já que vive se sentindo culpado em A Namoradinha de um Amigo Meu. É que ele está amando loucamente a namoradinha de um amigo dele. Sabe que está errado, mas nem mesmo ssabe como isso aconteceu. Um dia sem querer olhou em seu olhar e disfarçou até pra ninguém notar. Não sabe mais o que fazer pra ninguém saber que ele está gamado assim. Se os dois souberem, nem mesmo sabe o que eles vão pensar dele. Ele sabe que vai sofrer, mas tem que esquecer: o que é dos outros não se deve ter.

Aí já discordo dele.

O problema não é a mulher ser de outro e sim de um amigo. E como já diz o velho ditado, mulher de amigo é homem (não eu não vou fazer a piada “mulher de amigo meu é homem: só como a bunda”, porque ela é gay pra caramba e não entendo como algumas pessoas fazem ela achando que tão tirando onda).

Pois bem, em geral eu daria essa vitória pro Ricardão, e não pro corno. mas a gente nem sabe se de fato o Elvis foi corneado. E esse Ricardão é uma mela-cueca que só fica se lamentando. Como o Elvis foi macho e acabou com tudo antes de ser chifrado, leva a melhor. Até mesmo porque Suspicious Minds é foda.

PS: Será que o amigo em questão é o Erasmo Carlos (o Krusty brasileiro)?

Elvis7 x 4 Roberto Carlos

12º Round (Fim de relação): Heartbreak Hotel x Se Você Pensa

Na boa, Heartbreak Hotel pode ser clássica, mas a letra é um porre, uma música de fossa chata pra cacete. Um cara triste como cachorro abandonado tagarelando sobre a solidão. Mas OK, como um blues é bem foda.

Mas eu gosto mais da atitude do Robertão em Se Você Pensa. O cara ainda não terminou a relação, mas tá dando um basta à palhaçada. Ele bota o pau na mesa e diz que agora as coisas vão ser do jeito dele!

“Se você pensa que vai fazer de mim
O que faz com todo mundo que te ama
Acho bom saber que pra ficar comigo
Vai ter que mudar…

Daqui pra frente tudo vai ser diferente
Você tem que aprender a ser gente
Seu orgulho não vale nada! Nada!

Você não sabe e nunca procurou saber
Que quando a gente ama pra valer
Bom é ser feliz e mais nada! Nada!”

Tá, ele não chamou a mulher de cachorra que nem o Elvis em A Little Less Conversation, mas já é uma coisa. Pelo menos ele não foi prum hotelzinho de quinta ficar se lamentando.

Elvis 7 x 5 Roberto Carlos

Vitória do Elvis!

Acirrada essa!

.

[momento trocadilhos de montão = ON]

Disputa difícil, decidida em Detalhes tão pequenos deles dois, que foram coisas muito grandes pra esquecer.

Se o Robertão tivesse vencido, teria rolado uma Festa de Arromba (sem conotação sexual, eu acho).

Mas já que perdeu, ele ficou uma Fera Ferida, ressentido por não ter tido de mim, um Amigo de fé, um irmão camarada, mais ajuda nos rounds.

E sobre o resultado, se gostou ou detestou, o que importa é que Emoções você sentiu.

E que tudo mais vá pro inferno.

[momento trocadilhos de montão = OFF]

;

Semana que vem tem mais. Diga o que você mudaria nessas disputas e sugira novos confrontos.

Até semana que vem!

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6 Responses to Confronto da Semana: Elvis Presley x Roberto Carlos

  1. concha disse:

    hahaha, só a bife mesmo.

  2. Rafael disse:

    E eu achando que você tava conseguindo se conter quanto aos trocadilhos… deixou tudo pro final, lol

    Engraçado que na minha cabeça, essa música do Roberto Carlos versão axé (nem sabia que era dele), tinha sido regravada na verdade pelo Chiclete com Banana. Mas uma consulta no Google só deu resultados com o Babado Novo… weird.

    Mas considerando que o Babado Novo regravou até música do Led Zeppelin em versão axé, eu não acharia tão estranho.

  3. Tem uma versão interessante do Jammil e Uma Noites com a Cláudia Leitte para Bizarre Love Triangle.

  4. Renan disse:

    rsrs!! A disputa ta show

    To rindo aqui ate agora, os trocadilhos no final nem se fala……

    Muito bom

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