Confronto da Semana: Noviça Rebelde x Rock Horror Picture Show

Um musical clássico contra um alternativo.

Uma postulante à freira contra um travesti alienígena.

De um lado, as roupas feitas de cortina. Do outro, corpetes e meias-calças.

O confronto dessa semana vai ao mundo do cinema comparar dois musicais diametralmente opostos, mas que possuem legiões de fãs até hoje: Noviça Rebelde x Rocky Horror Picture Show.

A Noviça Rebelde foi um musical escrito no fim dos anos 50 que poucos anos depois se tornou um dos mais clássicos filmes de todos os tempos. Uma história de amor, humor e muita música que se passa durante a ocupação nazista na Áustria. Nesse cenário, uma postulante com pouca aptidão para o convento recebe a missão de ser babá dos 7 filhos de um capitão da Marinha Austríaca enquanto ele não se casa com a Baronesa com quem está envolvido.

Já  Rocky Horror Picture Show foi um fenômeno underground. Começou em teatros empoeirados ingleses e virou uma avalanche cult que chegou aos EUA e, finalmente, virou um filme em 1975. Que foi um fracasso comercial na época, mas que hoje, mais de 3 décadas depois, continua lotando sessões de meia-noite ao redor do mundo todas as semanas, com os fãs interagindo com o filme e tornando a experiência toda uma grande catarse que já rendeu mais de 100 milhões de bilheteria depois que saiu oficialmente de cartaz.

Os 10 rounds serão:

1º Round (Apresentando os protagonistas): Maria x Sweet Transvestite

2º Round (Chegando na Mansão): I Have Confidence x Over at the Frankenstein’s Place

3º Round (Momentos Aleatórios): The Lonely Goatherd x What Ever Happened to Saturday Night?

4º Round (Coisas Favoritas): My Favorite Things x I’ll Make You a Man

5º Round (Me pega de jeito): Sixteen Going on Seventeen x Touch-a, Touch-a, Touch Me

6º Round (Declarações): Something Good x Dammit Janet

7º Round (Momentos emocionais): Edelweiss x Don’t Dream It

8º Round (Despedidas): So Long, Farewell x I’m Going Home

9º Round (Introdução): The Sound of Music x Science Fiction/Double Feature

10º Round (Ensinamentos que entraram pra história): Do-Re-Mi x Time Warp

Então afinem os gogós porque vai começar a cantoria…

Luz, câmera, ação!

1º Round (Apresentando os protagonistas): Maria x Sweet Transvestite

Uma das primeiras canções de A Noviça Rebelde é essa em que a Madre Superiora ouve a opinião da chefe das noviças, da chefe das postulantes e de outras freiras sobre Maria e seus hábitos peculiares para um convento. É o primeiro toque de humor do filme e já serve pra quebrar a sisudez das freiras. E sua melodia é tão chiclete que fica impossível não ficar cantarolando depois.

A canção é tão marcante que já foi inclusive usada como piada num episódio de Seinfeld, quando George combina com Jerry um código de emergência numa operação de troca de fitas. Se a namorada do George pudesse flagar a confusão, ele deveria cantar essa música. Sim, bizarro.

Enfim, através dessa música a gente pode conhecer Maria antes mesmo dela aparecer pra valer (ok, ela já tinha aparecido, mas a cena inicial nas colinas que a mostra cantando e feliz não torna explícito o quanto ela é diferente de suas colegas de convento).

Não que os atos dela sejam muito bizarros. De acordo com as freiras, ela sobe em árvores (qual o problema?) e rala o joelho (problema dela, né?). Seu vestido tem um remendo (tipo, metade do filme é com as pessoas zoando o vestido dela, então o remendo é o de menos), ela dança no caminho para a missa (aí tudo bem, pode ser louca, mas pelo menos seja discreta) e assobia nas escadas (e?). E debaixo da touca enrola o cabelo (será que é uma boa a gente começar a listar coisas piores que freiras e padras às vezes fazem por baixo do hábito ou da batina?), e até escutaram ela cantando na abadia (o que é meio absurdo elas reclamarem, já que a cena dessa música é precedida justamente por um coral de freiras cantando na abadia). Ela está sempre atrasada para a capela (ok, aí temos que dar o braço a torcer, ela mora dentro da parada, não tem desculpa), mas a penitência é real. Na verdade está sempre atrasada para tudo, exceto para as refeições (nesse caso eu entendo ela).

Enfim, a gente meio que simpatiza com ela direto, e percebemos que de fato o convento não é o seu lugar.

Para quem não conhecer Rocky Horror Picture Show, devo logo adiantar que não se trata de um filme sobre o show de horrores que foi alguma luta do Rocky contra o Apollo Creed. E embora haja um Rocky que é um personagem, não é ele o protagonista, e sim o Dr. Frank-n-Furter, interpretado pelo genial e inusitado Tim Curry (ainda é bizarro vê-lo naqueles trajes boiolas todo rebolativo). E é na primeira aparição dele que ele mesmo se apresenta aos perdidos Brad e Janet, como um “doce travesti de Transexual (um planeta), Transilvânia (uma galáxia)”. Inclusive ele manda um “how you doin’?” bem antes do Matt leBlanc sequer imaginar que um dia ia ser o Joey de Friends. Enfim, Frank já sai mandando seu papo: “não fique assustado com a minha aparência, não julgue um livro pela capa. Não sou lá muito homem na luz do dia, mas à noite eu viro um puta dum amante”. E de resto, oferece aos dois forasteiros abrigo, diversão, etc. Embora, é claro, tudo que eles queiram seja um telefone.

Mas como viríamos a perceber, ele não era o sujeitão simpático que tentou parecer no princípio (embora todos os indícios de um personagem bizarro tenham se confirmado perfeitamente). Por outro lado, Maria corresponde perfeitamente à descrição das freiras: uma pessoa feliz, de bem com a vida e, eventualmente, uma boba alegre. E a música delas é muito melhor.

Noviça Rebelde 1 x 0 RHPS

2º Round (Chegando na Mansão): I Have Confidence x Over at the Frankenstein’s Place

Depois de perceber que Maria não pertencia ao lugar, a Madre Superiora passa para ela o desafio de cuidar das crianças Von Trapp. Ela então parte rumo à mansão tentando conquistar confiança, acreditar na sua missão. E no momento em que ela se convence que isso foi tudo que ela sempre procurou, avança cheia de alegria e ansiedade. E ela começa a repassar em sua cabeça (e na música) tudo que pode acontecer e como ela vai lidar com aquilo.

A chegada de Brad e Janet a mansão de Frank-n-Furter é tão cheia de dúvidas e medos como a de Maria, embora com certa esperança também. Afinal, eles estavam com o carro enguiçado no meio da estrada no meio de um temporal quando encontram o palacete. E nele há uma luz acesa, que serve de estopim para uma das melhores canções de Rocky Horror Picture Show. Com direito a um solo foda do Richard O’Brien (criador e compositor da peça, além de intérprete do corcunda Riff Raff).

Na escuridão aveludada
da mais negra noite
queimando forte
há uma estrela-guia
não importa o que ou quem você seja

Há uma luz (lá na casa do Frankenstein)
Há uma luz (queimando na lareira)
Há uma luz, uma luuuuz, na escuridão da vida de todo mundo.

Agora o solo foda:

A escuridão deve descer
rio abaixo os sonhos noturnos
A morfina flui devagar
e deixa o sol e a luz erradiarem
dentro da minha vida

Enquanto I Have Confidence acaba sendo meio esquecível dentre tantas canções fodas e memoráveis de A Noviça Rebelde, Over at the Frankenstein’s Place marca um dos grandes momentos de Rocky Horror Picture Show, um dos ápices do filme. E nessa leva a melhor

Noviça Rebelde 1 x 1 RHPS

3º Round (Momentos Aleatórios): The Lonely Goatherd x What Ever Happened to Saturday Night?

Não que essa cena seja completamente aleatória. Logo depois que o Capitão consegue recuperar sua alegria e permitir música em sua casa, ela serve pra mostrar esse novo espírito entre os Von Trapp e serve para pontuar ainda alguns traços de ciúmes da Baronesa Schraeder. E é uma cena bem divertida, com Maria e as crianças fazendo o teatro de marionetes. Ah! Uma coisa que reparo sempre, vejam só: no instante 2:55 o Friedrich dá mó manjadão na Julie Andrews! Prestem atenção.

Eddie é um entregador de quem Frank-n-Furter retirou o cérebro para criar o seu Rocky. Mas Eddie é ninguém menos que o roqueiro Meat Loaf, que DO NADA aparece no meio de uma cena e começa a cantar um rock’n’roll completamente aleatório. Menos mal que esse rock totalmente fora de contexto é o excelente What Ever Happened to Saturday Night?, também conhecido como Hot Patootie. Se The Lonely Goatherd faz as pessoas balançarem a cabeça sorrindo enquanto vêem a cena, em Hot Patootie a vontade é de levantar e sair acompanhando o ritmo rockabilly da cena, que culmina com Frank finalizando finalmente o motoqueiro gorducho, para desespero da Columbia, que tinha um affair com ele.

E eu fiquei em bastante dúvida nesse round, mas aí volto à questão da relevância. Nenhuma das músicas faria realmente falta se saíssem dos filmes. Mas seria um crime tirar de um musical rock a melhor canção do gênero que está presente na trilha. E porra, Meat Loaf chuta bundas.

Noviça Rebelde 1 x 2 RHPS

4º Round (Coisas Favoritas): My Favorite Things x I’ll Make You a Man

My Favorite Things marca o momento em que as crianças Von Trapp finalmente cedem ao carinho e Maria e resolvem parar de importunar a pobre fräulein. Isso tudo porque estavam se cagando de medo dos trovões em uma tempestade. Mas peraí. As crianças menores ainda vai lá. Mas tinha marmanjo de 14 anos se cagando de medo de um temporalzinho? Pô, para um bando de moleques criados sem mãe, eles parecem que foram criados por vó. Mas enfim, na cena, Maria explica que sempre que está com medo e preocupada pensa nas suas coisas favoritas. Ela menciona gotas de chuva em rosas, bigodes de gato, chaleiras de cobre, luvas de lã, sacolas marrons amarradas com lacinhos, pôneis cor de creme, apfeldstrudel, campainhas e gansos voando para a lua, entre outras coisas. O que nos faz supor que ela é uma retardada, já que tirando o apfeldstrudel, ela só falou imbecilidades. Mas fica impossível não cantarolar a música, por mais bobinha que seja a letra e a cena. E por isso se tornou clássica.

Uma versão que ficou marcada pra mim foi a que o Billy Crystal fez no Oscar de 2004, naquela sua tradicional apresentação dos filmes indicados a Melhor Filme. Ele usou a melodia dessa canção para falar de O Retorno do Rei (These are a few of my favorite things virou this is the gang in the Lord of the Rings e outras variações).

Já a coisa favorita de Frank-n-Furter é o sexo. Seja com homens ou com mulheres, ou até mesmo com a criatura que ele criou para ser um homem perfeito: Rocky. E em I’ll Make You a Man, ele começa a ensinar seu experimento a como deve se portar para se tornar o que ele sempre sonhou. A cena consegue ser über-gay até para os padrões do Frank. Uma pena, já que a música tem um pianinho bacana toda vida.

Se My Favorite Things consegue alegrar todo mundo, como é o seu intuito, I’ll make you a man na verdade mais constrange do que qualquer outra coisa. Afinal, por mais retardadas que sejam as coisas favoritas da Maria, pelo menos elas não são um maluco de cueca dourada.

Noviça Rebelde 2 x 2 RHPS

5º Round (Me pega de jeito): Sixteen Going on Seventeen x Touch-a, Touch-a, Touch Me

No começo de A Noviça Rebelde, a mais velha dos Von Trapp, Liesl, vive um namorico com o carteiro Rolf (que depois acaba se bandeando pro lado dos nazistas). Em uma conversa no jardim dela, ele promete protegê-la, ser o cara que vai escrever no livro em branco da vida dela (mais alguém aqui também acha que isso é uma metáfora pra tirar a virgindade dela?). E todo o papo (música) rola em torno dela ter 16 anos indo para 17 e ele ter 17 indo para 18 e por isso ser mais experiente, mais apto a tomar conta dela. A cena seria OK se não fosse por uma ridícula dancinha na estufa depois que começa a chover. E culmina com a Liesl, depois de beijada, soltando um gritinho constrangedor. Uma das poucas cenas meio chatas do filme.

Susan Sarandon é Janet Weiss, a noiva careta do bobalhão Brad. Mas depois de uma noite na mansão de Frank-n-Furter, ninguém sai igual. E é aí que temos uma Susan Sarandon novinha e repentinamente lasciva chegando no Rocky e revelando louca de desejo que é virgem e que quer ser tocada. Ela diz que havia apenas beijado até ali, e que não via motivo para fazer sacanagem, que só levava  a problemas e assentos molhados (essa parte é sensacional!). Mas depois de um encontro com Frank pouco antes, tudo que ela quer é ir em frente, fala “provei o sangue e agora quero mais, mais, mais, mais”. Promete não oferecer resistência… e embala cantando “Toque-toque-toque-me, eu quero ser suuuuuja / Me enlouqueça, me arrepie, me preencha até o talo (tradução livre por mim), criatura da noite”. E continua: “e se alguma coisa crescer, eu passo óleo e massageio”, afinal, ele precisa de uma ‘mãozinha’ e ela precisa é de ação.

Um hino à sacanagem, vindo daquela que seria uma das melhores atrizes da nossa era, numa época em que ainda precisava de dinheiro pro aluguel.

E aí esse round fica com um embate entre o amor ingênuo e a putaria. E é óbvio que ganha a putaria. Até porque é muito difícil acreditar num amor ingênuo entre um marmanjo como o Rolf e uma ninfeta no ponto certo como a Liesl. Ainda mais depois daquela metáfora do “escrever no livro”. Ganha a Susan Sarandon no seu momento piranhona.

Noviça Rebelde 2 x 3 RHPS

6º Round (Declarações): Something Good x Dammit Janet

Depois de se pegar apaixonada pelo Capitão Von Trapp, Maria foge de volta para o convento. Só que acaba convencida pela Madre Superiora que sua forma de servir a Deus não é como freira e que a missão dela, seja qual for, está naquela mansão (isso depois de um momento foda com Climb Every Mountain, que infelizmente ficou de fora do confronto). Daí pra Baronesa vazar é um pulo, e finalmente os dois pombinhos se encontram e se declaram. E aí temos essa canção que consegue conquistar pelo seu jeito pouco convencional. Em vez de chegar de dizer “ah, você é isso, você é aquilo, por isso eu te amo, fica comigo, etc”, a levada é mais no sentido de que “caramba, olha que foda, eu te amo e estamos juntos, então eu devo ter feito alguma coisa certa pra merecer isso”. Maria diz: talvez eu tenha tido uma infância levada, talvez uma juventude miserável; mas em algum momento desse meu passado travesso e miserável, tem que ter havido algum momento de verdade; porque aqui está você, em frente a mim, me amando, devendo ou não fazer isso; então em algum momento na minha juventude ou infância, eu devo ter feito alguma coisa certa; pois nada vem do nada, nada nem poderia; então em algum momento na minha juventude ou infância, eu devo ter feito alguma coisa certa.

Enfim, é uma forma foda de jogar a moral da pessoa amada pro alto, já que você tá dizendo que deve ter mandado muito bem pra ter merecido ela.

Logo na primeira cena de Rocky Horror Picture Show vemos Brad e Janet saindo de um casamento e ele, enrolado como sempre, busca forças para dizer que a ama e que quer casar com ela. E quando consegue manda um “Cacete, Janet, eu te amo”. A cena como um todo é bem divertida, com o Barry Bostwick dando show, mas a música é apenas simpática.

E se a cena em Noviça Rebelde também não é das mais marcantes, pelo menos fecha bem a trama romântica do filme e ganha pontos pela abordagem da música. Por isso ganha esse round.

Noviça Rebelde 3 x 3 RHPS

7º Round (Momentos emocionais): Edelweiss x Don’t Dream It

Edelweiss é uma florzinha invernal bem comum na Áustria. Um símbolo daquele país. Nada mais apropriado para simbolizar o patriotismo num tempo de anexação por outro país do que uma canção sobre ela, ainda mais cantada por um membro das forças armadas locais. E Edelweiss é uma canção belíssima, com talvez a melhor melodia dentre todas de A Noviça Rebelde. E que ainda consegue emocionar o espectador em dois momentos distintos. Primeiro, quando o Capitão finalmente abre seu coração e volta a cantar junto dos filhos. E no fim do filme, quando em pleno Festival de Salsburgo, em frente a todos os oficiais nazistas, puxa a canção com voz embargada, e é acompanhado com ufanismo por todo o público presente, num coro arrepiante, comparável apenas à Marselhesa cantada no bar do Rick em Casablanca.

Na reta final de Rocky Horror Picture Show, temos um Frank-n-Furter insano, alucinado e amargurado. E nesse contexto ele destila sua filosofia: entregue-se ao absoluto prazer, nade nas águas quentes dos pecados da carne, pesadelos eróticos além de qualquer medida e devaneios sensuais para desfrutar para sempre – não sonhe… seja!

E nessa loucura ele faz seus convidados travestidos aceitarem essa idéia e se juntarem a ele na piscina para viver esse seu lema, numa semi-orgia.

Mas se Don’t Dream It é o ápice emocional do Frank e de sua filosofia, Edelweiss é o ápice emocional de toda uma nação se afirmando num momento de trevas. E de uma família que reencontrou seu sentido. Além de ser uma música bem melhor.

Noviça Rebelde 4 x 3 RHPS

8º Round (Despedidas): So Long, Farewell x I’m Going Home

Uma das cenas mais conhecidas de Noviça Rebelde é essa em que as crianças se despedem dos convidados do baile que seu pai está oferecendo. O que seria apenas uma formalidade, vira um número cativante onde um por um (ok, às vezes em pares) as crianças Von Trapp vão dando um tchau personalizado. Todo mundo conhece os versos principais, com palavras de despedidas em várias línguas:

So long, farewell, auf Wiedersehen, good night
I hate to go and leave this pretty sight

So long, farewell, auf Wiedersehen, adieu
Adieu, adieu, to yieu and yieu and yieu

So long, farewell, au revoir, auf wiedersehen
I’d like to stay and taste my first champagne

So long, farewell, auf Wiedersehen, goodbye
I leave and heave a sigh and say goodbye — Goodbye!

I’m glad to go, I cannot tell a lie
I flit, I float, I fleetly flee, I fly

The sun has gone to bed and so must I

So long, farewell, auf Wiedersehen, goodbye
Goodbye, goodbye, goodbye

Só acho meio desnecessário ter ainda os convidados mandando um uníssono goodbye, mas tá valendo.

Um decadente Frank-n-Furter se despede da Terra e de nós enquanto seus ex-empregados, também alienígenas de Transexual, Transilvânia, vêm fazer com que ele pague por seus erros. Nada cativante e cuti como a canção das crianças, embora extremamente emocional, e seja um dos grandes momentos de Tim Curry.

Só que essa segunda metade de Rocky Horror é tão inferior à primeira e tão chata em alguns pontos, que nessa cena a gente já tá meio de saco cheio e sem paciência pra despedida do Frank. Ao contrário do momento da festa, quando estamos no auge da nossa boa vontade com os fedelhos cantarolantes. Melhor pra eles.

Noviça Rebelde 5 x 3 RHPS

9º Round (Introdução): The Sound of Music x Science Fiction/Double Feature

Logo de cara vemos os alpes austríacos, as colinas verdejantes e por elas vem correndo Julie Andrews para soltar o seu “The hills are aliiiiiive… with the sound of music… with songs they have sung for a thousand years”. Os versos são realmente inesquecíveis e marcantes, e essa sequência é uma introdução perfeita para a magia do filme. No entanto, é apenas isso, com a Julie Andrews brincando nos bosques.

Não que a cena de Science Fiction seja lá muito elaborada. Muito ao contrário. Essa música só toca durante os créditos iniciais e não é um número em si. Mas igualmente inesquecível e marcante, já que a canção, na voz de Richard O’Brien, é personificada nesses créditos com um fundo preto e a boca de Patricia Quinn, a Magenta do filme. E a música é boa pra caralho!

Incorporando todo o espírito de filme B que Rocky Horror traz consigo, a letra traz um mar de referências de filmes antigos, filmes trash e de ficção científica. Referências que passam por Fay Wray, King Kong, Flash Gordon, Leo G. Carrol, George Pal, Dana Andrews e muitos outros. Uma verdadeira ode ao tipo de filme que inspirou Rocky Horror, e que nos ajudam a mergulhar naquele mundo antes mesmo de vermos sequer um personagem.

Por isso, Science Fiction acaba, mesmo não mostrando nada, nos levando mais ao filme do que The Sound of Music, embora a cena nas colinas seja bem mais famosa e clássica. A boca ganha.

Noviça Rebelde 5 x 4 RHPS

10º Round (Ensinamentos que entraram pra história): Do-Re-Mi x Time Warp

“Vamos começar bem lá do começo. É um lugar muito bom de se comeár. Quando você lê, começa por A, B, C. Quando canta, começa por Dó, Ré, Mi… Dó, Ré, Mi…”

É assim que Maria inicia sua mais famosa lição para as crianças Von Trapp em todo o filme, durante um passeio com elas nas colinas. E daí nasce uma das cenas mais memoráveis e cativantes da história do cinema. Uma música que todos conhecem, nem que seja através de algumas das traduções (apesar de saber a original, quando penso na música a primeira coisa que me vem ainda é o “Dó: é pena de alguém, ré: quem anda para trás, mi: pronome que não tem, fá: que falta que me faz, sol: é o nosso astro-rei, lá: tão longe que nem sei, si: de sino e de sinal, e ao final voltei ao dó, dó, dó, dó”).

E depois que ensina as notas, Maria ensina como misturá-las e tcharam, em poucas lições as crianças que não sabiam cantar viram praticamente um coral internacional. A cena é sem dúvida foda, e a música idem. Um eterno clássico.

Para competir com Dó, Ré, Mi, nada melhor do que o maior sucesso de Rocky Horror. Quando Janet e Brad entram na mansão, são recebidos por Riff Raff e Magenta e ao som do Time Warp chegam ao salão onde os convidados de Frank já estão. A música é um belo rock com uma lição no seu refrão: como dançar o Time Warp.

É fácil e contagiante:

É só um pulinho para a esquerda
E um passinho à direita
Com as mãos no quadril
Você junta os joelhos
Mas é a requebrada pélvica que realmente deixa você maluco
Vamos fazer o Time Warp de novo!

O Time Warp é foda e é garantia de sucesso em festas nerds. Mas não dá pra competir com uma das principais cenas da história do cinema. Cai, mas cai de pé. Só que não tem jeito, num confronto com Noviça Rebelde participando, nada bate Dó, Ré, Mi.

Noviça Rebelde 6 x 4 RHPS

Vitória de Noviça Rebelde!

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Uma vitória até previsível, se a gente levar em conta que é realmente muito mais filme que Rocky Horror, cujo mito sobrevive mais pelo caráter underground e de rompimento do normal do que pela qualidade cinematográfica, etc.

Mas Rocky Horror não fez feio por aqui.

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Diga o que você achou, quais resultados mudaria, ou sugira novos confrontos.

Semana que vem tem Looney Tunes, classificado após a vitória contra a Disney, em um novo confronto. Até lá!

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3 Responses to Confronto da Semana: Noviça Rebelde x Rock Horror Picture Show

  1. concha disse:

    esse seu “semana que vem tem …. Até lá!” me fez pensar que você acha que é um dos apresentadores do CRUJ quando escreve os confrontos.

    obs: se noviça não tivesse ganhado eu parava de falar com você.

  2. concha disse:

    já.
    mas só é legal pq tem essa áurea cult.
    pelo menos eu acho.

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