Blog Action Day 08 – Conexões Urbanas

outubro 15, 2008

Então quer dizer que hoje é o Blog Action Day 08? Legal! Você não faz idéia do que é isso? Trata-se de um movimento na blogosfera. Um dia em que todos os blogs escrevem sobre um mesmo assunto, com o objetivo de gerar awareness, levantar a discussão e iniciar a ação.

E o tema para este ano é “pobreza”. Um assunto extremamente complexo e que, infelizmente, nós aqui no Brasil conhecemos bem. Pois eu lembrei logo de um excelente exemplo que entrou no ar recentemente: Conexões Urbanas.

Conexões Urbanas é um projeto sócio-cultural do Grupo AfroReggae que procura não exatamente lutar contra a pobreza, mas contra as conseqüências dela para a sociedade, como o “apartheid social e cultural” causado pela violência e pelo medo nas grandes cidades.

Um projeto que nasceu com o objetivo de levar entretenimento, lazer e cultura a locais com pouco acesso a esse tipo de conteúdo, mas que acabou por ter um efeito reverso também: mostrar ao resto da sociedade todo o vasto conteúdo produzido nesses mesmos locais, diminuindo assim a barreira entre mundos tão próximos, mas ao mesmo tempo tão distantes.

Apesar do sucesso do projeto, o Grupo AfroReggae sentiu que ainda faltava disseminar ainda mais essa idéia de integração. Com isso criou recentemente o programa de televisão com o mesmo nome. Na verdade, nas palavras de José Junior, coordenador executivo do AfroReggae, não se trata de um programa de televisão, e sim de “um braço televisivo de um movimento sócio-cultural”.

Na verdade, o objetivo é “criar elos de conhecimento, cultura e afetividade entre os diversos guetos em que a sociedade se dividiu: ricos e pobres, brancos e pretos, jovens e velhos”.

Conexões Urbanas vai ao ar no canal Multishow, toda segunda-feira, às 21h45min.

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Dossiê Universo Jovem 4 MTV: Sustentabilidade.

setembro 29, 2008

O post chega atrasado, mas vale a pena. Sexta passada foi a apresentação do Dossiê Universo Jovem 4: Sustentabilidade da MTV aqui no Rio de Janeiro. A fase qualitativa, coordenação e análise final foram realizadas pela Aartedamarca e o DataFolha realizou a fase quantitativa.

Achei no site da Aartedamarca o arquivo em PDF do livro que foi entregue no final com todos os dados da pesquisa disponível para download. Vale a pena, nem que seja só para passar os olhos no layout bem bacana do projeto.

O evento começou com uma breve introdução e logo depois, um vídeo com os resultados do Dossiê. Bem bacana. Além dos números, depoimentos interessantes e alguns inacreditáveis como um menino que falou “que a água do mundo acabe, a gente tem em abundância mesmo, vamos vender e virar um país rico. Eu não tenho nada com isso e não vou fazer nada.”

Depois do filme, o filósofo Mario Sergio Cortella foi convidado para comentar a pesquisa e levantou alguns pontos interessantes:

– Erotização do sustentável

Poucos jovens sabiam ao certo definir o que significa sustentabilidade. Muitos achavam que era quando você consegue fazer as coisas sem depender de ninguém. Até que um dos entrevistados comentou que do jeito que estamos, a saída é erotizar a sustentabilidade para que assim ela se torne algo mais atraente.

– Miojização das relações

Isso mesmo: Miojo. É daí que veio a expressão para resumir o quão instantâneas estão nossas relações. E o pior é que é verdade! Já parou pra pensar?

– Comida caseira

Domingão é dia daquele almoço de família. As pessoas se reúnem e saem de casa para comer comida caseira. Há alguma contradição aqui, não? Para onde foi a tradição do almoço que durava longas tardes embalado por longas conversas? Agora é a fila do restaurante para conseguir uma mesa e aquele parto na hora de rachar a conta.

– Filhos órfãos

Um outro ponto levantado foi como a atual geração é órfã de seus pais. Por mais que vivam juntos passam pouquíssimo tempo juntos, mal conversam. E daí veio um exemplo muito bom sobre os cartões de vale-presente. Eles são o cúmulo do desconhecimento de uma pessoa e como você não sabe nada dá um vale-presente pra ela comprar o que quiser.

– Não tenho nada com isso

Havia uma Velhinha que morava em uma fazenda. Ela tinha uma vaca, um porco, um galo e um rato. Tudo convivia muito bem até que certo dia a Velhinha decide colocar uma ratoeira na cozinha. O rato, desesperado, vai procurar ajuda. Começou pela Vaca:

– Vaca! Temos um problema sério. Tem uma ratoeira na cozinha.

– Rato, onde já se viu Vaca ficar presa em ratoeira? Não tenho nada com isso. Quem tem um problema é você.

A Vaca não ia ajudar então o rato foi atrás do galo:

– Galo! Temos um problema sério. Tem uma ratoeira na cozinha.

– Rato, onde já se viu Galo ficar preso em ratoeira? Não tenho nada com isso. Quem tem um problema é você.

Nada feito com a Vaca nem com o Galo, a última tentativa era o porco, mas o Rato ouviu a mesma história.

Triste e sem ter ajuda de ninguém, o rato ficou escondido durante os dias seguintes e bem longe da ratoeira. Passado um tempo, todos escutam a Velhinha gritar.

A cena era: uma cobra presa na ratoeira e a Velhinha com a mão ensangüentada por tentar retirar a cobra da ratoeira.

A velha foi pro hospital e ficou alguns dias internada. Na volta pra casa, precisou seguir uma dieta light pra se recuperar. Mandou matar o galo e fazer uma canja. Recuperada, mas em dívida com o hospital, vendeu a Vaca para um açougue. E como tudo tinha dado certo, decidiu comemorar sua saúde com os amigos fazendo uma feijoada. Lá se foi o porco. Sobrou o rato.

E você acha mesmo que não tem nada a ver com o meio ambiente?


Cegueira não é desculpa para você não ver

setembro 18, 2008

Título desse post foi meio filosófico, meio trocadilho. Mas ignorem a parte do trocadilho.

Não li Ensaio sobre a Cegueira ainda. E sem dúvida não é o melhor filme do Fernando Meirelles (ainda é Cidade de Deus, que tá no meu Top 10 de todos os tempos). Mas é ótimo, e você não pode deixar de ver (sem trocadilho). Inclusive é um filme que “envelhece” bem. Hoje já estou gostando bem mais do que quando vi, ontem.

Julianne Moore está sublime, Mark Ruffalo e Alice Braga ótimos, e o Gael García Bernal faz uma das melhores atuações da carreira dele. Divertido e perturbador ao mesmo tempo. A cena do “I Just Called to Say I Love You” está no rol de grandes momentos desse filme, assim como a do rádio, a do reencontro do casal japonês, a do supermercado e de outras que não vou citar aqui para não falar nenhum spoiler.

Um filme que nos provoca. Nos convida a refletir sobre como olhamos o mundo. E nos faz perceber, através da alegoria de uma situação de limite como é a cegueira branca, a verdadeira essência do homem. Enquanto alguns despertam o lado mais podre e sujo, outros percebem que, para sobreviver, precisam do apoio uns dos outros, da solidariedade, do amor.

Percebem que essa é a cura para viver nesse mundo cego. Seja o literal, do filme. Ou até mesmo o nosso, onde todo mundo vê, mas poucos realmente enxergam.


Homens são criaturas mais felizes

setembro 15, 2008

Encontrei mais esse texto engraçado no Funtastics e não pude evitar de traduzir. Mostra mais algumas diferenças entre nós homens e as “mulé”.

APELIDOS

· Se Laura, Kate e Sarah saem pra almoçar, elas vão chamar uma a outra de Laura, Kate e Sarah.

· Se Mike, Dave e John saem, eles vão se chamar afetivamente de Gorducho, Godzilla e Quatro-Olhos.

COMENDO FORA

· Quando a conta chegar, Mike, Dave e John vão cada um jogar uma nota de 20 pratas, apesar da conta toda só ter dado $32,50. Nenhum deles vão aceitar dar nada melhor nem vão admitir que querem seu troco de volta.

· Quando as garotas recebem sua conta, as calculadoras saem das bolsas.

DINHEIRO

· Um homem paga 2 pratas num item de 1 prata por algo que ele precisa.

· Uma mulher paga 1 prata num item de 2 pratas por algo que ela NÃO precisa, mas está em liquidação.

BANHEIRO

· Um homem tem seis itens no banheiro: escova de dente, pasta de dente, creme de barbear, lâmina de barbear, um sabonete e uma toalha.

· O número médio de itens num típico banheiro feminino está em torno de 337. Um homem não é capaz de identificar mais de 20 desses itens.

DISCUSSÕES

· Uma mulher tem a última palavra em qualquer discussão.

· E tudo que o homem diz depois disso é considerado o começo de uma nova discussão.

FUTURO

· Uma mulher se preocupa com o futuro até que consegue um marido.

· Um homem nunca se preocupa com o futuro até que consegue uma esposa.

SUCESSO

· Um homem bem-sucedido é aquele que ganha mais dinheiro do que sua mulher consegue gastar.

· Uma mulher bem-sucedida é aquela que acha um cara desses.

CASAMENTO

· A mulher casa com um cara esperando que ele mude, mas ele não muda.

· O homem casa com a mulher esperando que ela não mude, mas ela muda.

SE VESTIR

· A mulher se arruma para fazer compras, regar as plantas, tirar o lixo, atender ao telefone, ler um livro e buscar a correspondência.

· O homem se arruma para casamentos e funerais.

AO NATURAL

· O homem acorda com a mesma cara que foi dormir.

· A mulher, de alguma forma, se deteriora durante a noite.

HERDEIROS

· Ah, crianças! A mulher sabe tudo sobre seus filhos. Ela sabe sobre os horários para ir ao dentista, os romancezinhos, melhores amigos, comidas favoritas, medos, esperanças e sonhos.

· O homem tem uma vaga idéia de que tem umas pessoas baixinhas morando na casa.


What Teachers Make

setembro 6, 2008

Tava lendo meus feeds hoje cedo quando vi esse post no Update or Die sobre o World’s Best Presentation Contest, um concurso que, como o nome já deixa claro, premia as melhores apresentações. Aí resolvi ver as que o autor do post recomendou, e uma delas (que sequer ganhou nada) me deixou arrepiado. Realmente emocionado e arrepiado.

É um poema , do “slam poet” e professor Taylor Mali (slam poetry, de acordo com a Wikipedia, é um tipo de poesia recitada ao vivo onde os poetas competem entre si sendo julgados por membros previamente selecionados na platéia).

Ele fala, de forma eloqüente, sobre um jantar onde ele, como professor, foi ironizado, e depois questionado sobre o que os professores fazem.

Ele respondeu, com honestidade. E depois cedeu esse poema para que fizessem uma apresentação naquele velho esqueminha de “Pulp Fiction in Typography”. Bom pra quem servir de legenda pra quem não entender direito, mas também dá pra achar o discurso com ele falando de microfone em punho no Youtube diante de uma platéia insandecida (aqui, mais especificamente).

Veja abaixo:


Don’t drink and drive

agosto 26, 2008

Via @popurls


Always Look on the Bright Side of Life

agosto 6, 2008

Eu tava sentindo falta de mais textos autorais aqui no Vida Ordinária, que era uma das propostas do blog quando ele começou. Mas o tempo foi passando, o trabalho aumentando e a parada toda passou a se resumir a críticas de filmes, confrontos e top 5 (esses últimos feitos pelo Bruno).

De qualquer forma, vou tentar tornar esses posts mais soltos, como divagações (e que eram até comuns lá por fevereiro e março), um hábito.

Para começar, eu queria falar de uma parada que nem anda muito na minha cabeça nos últimos tempos, mas que tem a ver com o dia de hoje.

Hoje completam exatos 6 anos que sofri um acidente relativamente grave (aliás, programei esse post para mais ou menos o horário em que ele aconteceu, inclusive).

Era uma terça-feira, meu segundo dia de aula no meu primeiro período da faculdade. Já tinha acabado o trote e eu tava indo pra casa, atravessando a Av. Rio Branco, quando senti um choque no joelho. Sabe quando a gente bate o cotovelo em algum lugar e dá tipo um choquezinho? Pois é, foi mais ou menos assim, só que mais intenso. Eu só sei que fui ao chão… sei lá, achei que tivesse pisado em algum fio desencapado, alguma porra dessas. Só sei que o sinal abriu e todos na rua pararam o trânsito e me levaram até o meio fio. Chega ambulância, vou pro Souza Aguiar, consigo a liberação e vou com meus pais até outro hospital.

Resultado: eu tinha uma lesão que não tinha percebido e continuei andando como se não tivesse nada. Até que um passo em falso provocou uma fratura do platô tibial, deslocamento da rótula e rompimento de todos os ligamentos do meu joelho esquerdo.

Cirurgia no dia seguinte, para colocar dois parafusos, liberado mais dois dias depois para ir pra casa mantendo a perna em repouso. Por causa dessa fratura, só pude voltar as aulas no período seguinte. Foram meses e meses confinado em casa, dada a gravidade da fratura. A primeira vez que saí de casa sem ser para fazer exames ou consultas, foi no dia 27 de dezembro: 143 dias depois.  Quase 5 meses. E mesmo assim na cadeira de rodas.

Minha rotina era basicamente ver TV, ler e ficar na internet. Para me locomover em casa, usava 2 cadeiras de computador (1 para ir sentado, outra pra perna fudida e com a direita eu ia “remando”). Era uma situação de merda.

Aí começou fisioterapia, treinar com muletas e tal. Em março já tinha vida normal e em maio larguei as muletas. Mancar manco até hoje, dependendo da posição dos parafusos ou do esforço.

Mas esse post não é para eu citar parte da minha biografia, e sim para apontar para uma parada que reparo na maioria das pessoas, inclusive em mim: como a gente reclama por porra nenhuma.

É claro, cada um tem seus problemas e lida com eles. Eu não tô dizendo que fulana tem que gostar de ter chefe chato ou que ciclano não pode achar ruim uma ordem que recebeu dos pais, etc. Mas é a tempestade em copo d’água que me incomoda. Ou melhor, não chega a incomodar, mas me deixa meio assim. Tô cansado de ver gente, às vésperas do reveillon, falar que quer que o ano acabe logo porque foi uma merda. Peraí, será que o ano de tanta gente foi tão ruim assim mesmo? Duvido. Repito, cada um tem seus problemas. Mas em vez de lidarem com eles, preferem superlativizá-los.

Aí chega um cara como eu, essencialmente bem humorado e otimista, e tenta dar uma palavra de incentivo, puxar prum lado mais alegre, e vem sempre a mesma frase (é impressionante, é sempre igual): você não conhece meus problemas.

É verdade, não conheço mesmo. Mas será que é pior do que passar uns 6 ou 7 meses vivendo 90% do dia sentado na sua cama com contato humano praticamente feito só por telefone ou internet (afinal, as pessoas têm suas vidas, escolas, empregos, etc)?

E essa própria rotina de merda que eu citei. Dá pra eu comparar com gente que ficou inválido não por alguns meses, mas sim pela vida inteira? Ou com gente que sofreu coisa ainda pior, como a perda de um ente querido, gente que passa fome, etc, etc, etc (exemplos não faltam)? Não! Eu sei que soa como demagogia, mas é a verdade.

2002, mesmo com isso, foi um ano foda pra mim! Passei na faculdade, o Fluminense foi campeão estadual, a Seleção Brasileira pentacampeão do mundo e eu fiz várias das grandes amizades que eu tenho hoje em dia.

A gente não precisa gostar dos nossos problemas. Muito menos se acomodar com eles. Mas do que adiantar só reclamar? Sério. Pra que serve aumentá-los como se fôssemos as pessoas mais torturadas e amarguradas do mundo? E do que adianta ficar com uma visão pessimista? Pra porra nenhuma.

Encara com bom humor, pô. Tá afundado na merda, nada nela. Ou vira macaco Tião e sai atirando em geral. Tanto faz. Mas ficar só se lamentando, como se fosse digno de pena? Ah, na boa, vai tomar no cu.

E pra encerrar essa divagação antes que ela vire o prefácio prum livro ruim de auto-ajuda (olha o pleonasmo… todo livro de auto-ajuda é ruim), vai a grande lição de vida (sério!!!) do Monty Python para todos nós: Always Look on the Bright Side of Life.

Reclamem menos dos seus problemas e tratem de se animar para resolvê-los.