Fantasmas do passado: Bebeto

outubro 16, 2008

Esse eu tenho que admitir que puxa muito a minha nostalgia. Me lembro de entrar na condução para ir ao colégio quando ainda estava no Jardim de Infância, ali por volta do meio-dia, e sempre, SEMPRE, começava a tocar na rádio aquela mesma música…

O nome dela é Jééééééééééssicaaaaaaaaaaaaaaaaa

Bebeto (nenhuma relação com o ex-jogador da seleção), de acordo com a Wikipedia, foi um dos grandes nomes do samba rock brasileiro. Mas peraí, alguém aqui já ouviu qualquer coisa dele nesse gênero. Ou melhor, alguém aqui já ouviu qualquer coisa dele além daquele pagodinho mela-cueca que é Jéssica?

Então vamos revisitar o único sucesso, dos idos de 1989, desse fantasma do passado:

O nome dela é Jéssica
Eu já falei pra vocês
É a coisa mais linda que Deus pôde trazer!

Pra começar, esse refrão chiclete que todos conhecemos (eu queria ter colocado algum vídeo aqui, mas todos que achei no Youtube eram de declarações bregas estilo powerpoint para meninas chamadas Jéssica).

Sem a gente esperar nasce uma pequena flor
Que terá muito amor
Que terá muito amor
Nem bem nasceu já começamos regá-la
Pra mais tarde colher
Uma porção de carinho

Vamos lá… “nem bem nasceu já começamos regá-la”. WTF? Ele tá falando em pedofilia? Em preparar a garota pro abate? Sério, medo.

Enfim, esse one hit wonder brasileiro lançou Jéssica quando já tinha uma carreira longa, mas se foi seu primeiro grande sucesso, também foi o último.

Só que pra sorte dele eu tenho nostalgia dessa cançãozinha furreca e resolvi resgatá-lo aqui no Vida Ordinária.

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E pra próxima edição do Fantasmas do Passado, vou aproveitar que agora dá para colocar enquetes nos posts. Quem vai decidir a próxima visita a algum sucesso bizarro do passado recente vão ser vocês. Quem vocês querem que seja o próximo fantasma do passado do VO?


Fantasmas do passado: Adryana e a Rapaziada

outubro 14, 2008

Imaginem uma loira meio brega acompanhada de 4 malucos com camisa colada, cantando músicas românticas com certa levada de pagode e R&B. Sim, ao mesmo tempo. Só mesmo no Brasil para isso fazer algum sucesso. E durante um certo tempo, Adryana e a Rapaziada (um dos piores nomes de grupo da história) fizeram bastante sucesso.

O único hit pra valer foi Só Faltava Você. Você não se lembra dele? Eu também não lembrava, mas uma breve pesquisa me fez recordar esse horror que grua como chiclete. Levantem os bracinhos e cantem junto:

Tá na minha pele, tá no coração, tá na luz do meu olhar
Esse amor intenso, esse amor bonito, veio pra ficar
Tá no meu sorriso, em cada emoção, em cada passo que eu andar
Esse amor ardente, veio loucamente pra me completar

Eles aproveitaram aquela época que a MTV andava eclética, passando clip de Travessos e outras coisas, e fizeram um também, para a música Tudo Passa. E tudo que eu poderia falar sobre a cafonice deles se torna desnecessário, já que uma imagem (na verdade, algumas centenas delas, além da música) valem mais que mil palavras:

O que é ela cantando pra câmera e o cara chegando no ouvido dela pra cantar? O ó!

Eu sinceramente não sei o que a Adryana anda fazendo atualmente. Muito menos a Rapaziada. Mas hoje em dia eles não tem mais o destaque que já tiveram na nossa mídia. Melhora da mídia? Antes fosse…

Mas aqui no Vida Ordinária eles revivem um pouco dos 15 minutos de fama com uns 15 pageviews de fama.

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Na nossa próxima visita ao passado, vamos dar um salto um pouco maior, para o fim dos anos 80, e visitar um ícone do pagode brega. O nome dele é Bebeto, já falei pra vocês…


Confronto da Semana: Noviça Rebelde x Rock Horror Picture Show

outubro 13, 2008

Um musical clássico contra um alternativo.

Uma postulante à freira contra um travesti alienígena.

De um lado, as roupas feitas de cortina. Do outro, corpetes e meias-calças.

O confronto dessa semana vai ao mundo do cinema comparar dois musicais diametralmente opostos, mas que possuem legiões de fãs até hoje: Noviça Rebelde x Rocky Horror Picture Show.

A Noviça Rebelde foi um musical escrito no fim dos anos 50 que poucos anos depois se tornou um dos mais clássicos filmes de todos os tempos. Uma história de amor, humor e muita música que se passa durante a ocupação nazista na Áustria. Nesse cenário, uma postulante com pouca aptidão para o convento recebe a missão de ser babá dos 7 filhos de um capitão da Marinha Austríaca enquanto ele não se casa com a Baronesa com quem está envolvido.

Já  Rocky Horror Picture Show foi um fenômeno underground. Começou em teatros empoeirados ingleses e virou uma avalanche cult que chegou aos EUA e, finalmente, virou um filme em 1975. Que foi um fracasso comercial na época, mas que hoje, mais de 3 décadas depois, continua lotando sessões de meia-noite ao redor do mundo todas as semanas, com os fãs interagindo com o filme e tornando a experiência toda uma grande catarse que já rendeu mais de 100 milhões de bilheteria depois que saiu oficialmente de cartaz.

Os 10 rounds serão:

1º Round (Apresentando os protagonistas): Maria x Sweet Transvestite

2º Round (Chegando na Mansão): I Have Confidence x Over at the Frankenstein’s Place

3º Round (Momentos Aleatórios): The Lonely Goatherd x What Ever Happened to Saturday Night?

4º Round (Coisas Favoritas): My Favorite Things x I’ll Make You a Man

5º Round (Me pega de jeito): Sixteen Going on Seventeen x Touch-a, Touch-a, Touch Me

6º Round (Declarações): Something Good x Dammit Janet

7º Round (Momentos emocionais): Edelweiss x Don’t Dream It

8º Round (Despedidas): So Long, Farewell x I’m Going Home

9º Round (Introdução): The Sound of Music x Science Fiction/Double Feature

10º Round (Ensinamentos que entraram pra história): Do-Re-Mi x Time Warp

Então afinem os gogós porque vai começar a cantoria…

Luz, câmera, ação!

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Fantasmas do passado: Fat Family

outubro 6, 2008

Não é porque eu sou gordo que eu vou chegar aqui e defender essa trupe familiar que surgiu na segunda metade dos anos 90 assassinando Shy Guy da Diana King com a sua Jeito Sexy.

“Oh Baby!
Dance, dance, dance
Vem mexendo assim
Não pare, pare, pare
Com seu jeitinho
Sexy, sexy, sexy”

Eles só esquecem de dizer que esse dance, dance, dance só se refere ao pescoço. Num tempo em que o funk carioca tava na moda com a dança da bundinha, dança da cabeça e afins, os paulistas do Fat Family surgiram com a dança do pescoço.

“No meu ouvido
Fala, me fala
Me fala-me…”

O que é o bom português, não é, minha gente? “Me fala-me”. Incrível.

Fora isso, o repertório deles se resumia a cantar Oh Happy Day e Killing Me Softly no programa do Faustão. E apesar de chegada em peso na mídia (ahn, ahn), logo caíram no ostracismo e sumiram (o que, considerando o tamanho da rapaziada, era difícil).

Mas também, quer o que? Olha só a foto acima. Saca o naipe das figuras. Falando no vocabulário deles, “se fuderam-se”.

Esquecidos pela mídia, mas lembrados pelo Vida Ordinária. Só que com certeza não foi pelo jeitinho sexy.

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E quando a gente voltar, vamos rever a Fergie brasileira e sua banda de pagode de apoio: Adryana e a Rapaziada!


Fantasmas do passado: Pepê e Neném

outubro 3, 2008

Pepê e Neném surgiram como uma dupla de irmãs de faziam embromation de hits pops internacionais.

Até que alguém achou o astral e o suíngue delas legal e resolveu bancar a gravação de um CD e transformá-las numa espécie de versão feminina do Claudinho & Buchecha.

E é aí que eu digo, pra que dar dinheiro pra uma pessoa dessas, que não sabem como gastar.

Elas tiveram 3 semi-hits. O primeiro foi Mania de Você. Não, não era uma versão do sucesso da Rita Lee, e sim uma cançãozinha pop bem esquecível (o que é o oposto do chiclete, intenção de qualquer pop).

“Olhos nos olhos
(Olhos nos olhos!)
Boca na boca
(Boca na boca!)
Que coisa louca
A gente rolar outra vez”

Depois veio Fim de Tarde, que era até um pouco mais pegajosa. Puxava prum lado mais romântico.

“Perdi você
Não tente entender
Ainda te amo”

E a letra era basicamente só isso (ok, tinha mais coisa, mas elas repetiam esses 3 versos umas  quatrocentas vezes).

E por último a maior heresia: Nada Me Faz Esquecer. Simplesmente uma versão (que merecia vaga no Top 5 de Subversões Brasileiras) de Wild World, do Cat Stevens (pra mim uma das 5 melhores canções de todos os tempos).

“Uh! Baby Baby, nada!
Me faz esquecer
Da nossa história
Uh! Baby Baby, nada!
Apaga você
Da minha memória…”

Nada apaga o cara da memória delas. Mas o tempo veio e o ostracismo voltou para a simpática e extrovertida dupla de irmãos, que foi apagada da memória dos brasileiros.

Até que veio o Vida Ordinária e as resgatou.

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No nosso próximo mergulho ao obscuro mundo das semi-celebridades que sumiram da mídia, visitaremos aquele grupo familiar que fez fama ao dançar apenas com o pescoço: Fat Family!


Confronto da Semana: Elvis Presley x Roberto Carlos

setembro 30, 2008

Duelo de Reis!

The King contra O Rei.

The pelvis contra o grande ídolo das tiazonas brasileiras.

O homem que não morreu contra o ícone dos especiais de fim de ano da Globo.

O topete contra o mullets.

Um confronto majestoso.

Elvis Presley x Roberto Carlos

Já devo dizer que foi uma pena deixar muitas canções clássicas de fora desse Confronto. Algumas emblemáticas, outras folclóricas, que renderiam rounds divertidíssimos. Principalmente do repertório do Robertão, como O Divã (que inspirou a mãe do zagueiro Odvan a lhe dar esse nome) ou Côncavo e Convexo (sim, a música que fez a tia daquela declaração na novela da Globo ter o primeiro orgasmo da sua vida).

Mas vamos aos 12 rounds (sim, nessa semana tive que voltar ao 12 pra não deixar alguns clássicos de fora):

1º Round (Mundo Animal): Hound Dog x Negro Gato
2º Round (Eles se fazem de maus):
Jailhouse Rock x Eu Sou Terrível
3º Round (Tá na cabeça):
Always on My Mind x Debaixo dos Caracóis dos Seus Cabelos
4º Round (
Tem alguma coisa diferente…): All Shook Up x Força Estranha
5º Round (Bens Materiais):
Blue Suede Shoes x Calhambeque
6º Round (Cidades):
Viva Las Vegas x As Curvas da Estrada de Santos
7º Round (Declaração repetitiva): I Want You, I Need You, I Love You x Eu Te Amo, Eu Te Amo, Eu Te Amo
8º Round (Declaração Cafona): Love me Tender x Cavalgada
9º Round (O Amor Ideal): A Little Less Conversation x Amor Perfeito
10º Round (Te gosto esse tantão): (I Can’t Help) Falling in Love With You x Como é Grande o meu Amor por Você
11º Round (O Corno e o Ricardão): Suspicious Minds x A Namoradinha de um Amigo Meu
12º Round (Fim de relação):
Heartbreak Hotel x Se Você Pensa

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Fantasmas do passado: Vinny

setembro 29, 2008

A inteção original dessa coluna seria fazer uma espécie de Por Onde Anda, mas no fim acabei achando que isso seria chato, já que parte dos retratados a gente até pode saber eventualmente que fim levou. Mas o que eu quero mesmo é falar dessas figuras bizarras que por algum tempo foram bem presentes no mundo da música, TV e cinema, mesmo sem serem necessariamente bons (aliás, devo mostrar justamente a galera que era tosca mesmo) e que, tão rápido quanto invadiram a mídia, sumiram dela.

O primeiro é o Vinny. O cara já era uma figura meio estranha para um pretenso popstar. Era branquelo, com aquele cabelo descolorido, meio desengonçado. E estourou com um hit que não fazia o menor sentido. Para começar, por que raios “Heloísa, mexe a cadeira” tem esse nome? Em nenhum momento a letra cita a tal da Heloísa!

Mas vamos analisar ponto a ponto a letra.

“Mexe a cadeira
e bota na beira da sala
Mexe a cadeira
agora bem na minha cara”

Ok, a letra tem um claro duplo sentido. A questão é que em nenhuma das duas vias ele funciona muito bem. Como nesse caso. Se ele está falando de cadeira-bunda, por que a Heloísa (supondo que ela é a quem ele se direciona) deveria botar a bunda na beira da sala? E se for cadeira-cadeira, por que alguém pediria a outra pessoa para mexer a cadeira bem na sua cara?

“Mexe a cadeira da maneira que te tara
Mexe a cadeira
e perde a vergonha na cara”

Nesse caso, é óbvio que ele fala de cadeira-bunda, mas quando a pessoa mexe sua própria bunda, é supostamente para tarar alguém que está te vendo, e não a si mesmo.

“E vem, vai, vem ,vai”

Preciso mesmo falar desse trecho?

“Move your body, don’t stop
Move your body, don’t stop”

Tinha mesmo que enfiar uns em inglês? A música já não estava cafajeste o suficiente antes?

Vamos adiantar mais um pouco…

“Mexe a cadeira, hey
Bota pra danar, hey
Trepa na mesa, hey”

Bota pra danar?? WTF? Se bem que a parte do trepa na mesa é legal.

“Give it up, give it up, give it up”

Desista, desista. Afinal, ele quer que ela mexa a cadeira e diz pra ela desistir. Desistir de que? De resistir à mexer a cadeira? Então era um estupro?

“Mexe a cadeira
Sabe tudo e nada fala
Mexe a cadeira
E vai fazendo a minha mala”

Ok, agora quem desiste sou eu. Desisto de tentar entender o Vinny.

O mais bizarro é que pouco depois ele teve a “honra” de criar o tema pra Tiazinha. Que era basicamente o “Heloísa, mexe a cadeira” com letra nova.

“Ei, TIazinha, mexe essa bundinha e vem!”

Podem conferir, é igual o background.

E depois ele caiu no ostracismo (na verdade ele ainda teve uma música que eu até gostava bastante, mas ele sumiu tanto que nem lembro mais qual era).

Hoje não sei por onde ele anda (ok, sei sim, porque ele tem um blog – mas alguém ouviu esse acústico dele?). Vinny, dica de amigo (ok, não sou seu amigo, mas você parece ser um cara gente fina): vai procurar um emprego, porque teu tempo já passou. Tenta virar bancário, lojista, cover da Xuxa, sei lá.

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Na próxima edição vamos relembrar outro ícone da música do fim dos anos 90 que também veio e sumiu num instante. Uma dupla que anda apagada da nossa memória, mas que o Vida Ordinária vai trazer de volta: Pepê e Neném!